Portal de Periódicos da Universidade do Estado de Mato Grosso
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O TRÍPTICO DO INCESTO: TRADUÇÃO COMENTADA DO FRANCÊS AO PORTUGUÊS BRASILEIRO DE CANÇÕES DE BARBARA/THE TRIPTYCH OF INCEST: COMMENTED TRANSLATION FROM FRENCH TO BRAZILIAN PORTUGUESE OF BARBARA\u27S SONGS
Este artigo tem como objetivo apresentar traduções cantáveis de três canções de Barbara, do francês ao português brasileiro, bem como o desenvolvimento de reflexões sobre Tradução de Canção (BRITTO, 2019; KRIEGER, 2018; LOW, 2005, 2017). Para a análise das letras musicais de Nantes (1964), Au cœur de la nuit (1967) e L’aigle noir (1970), certos fundamentos da tradução poética (LARANJEIRA, 2003, 2012) e poeticidade de Barbara (JULY, 2002, 2012) foram trabalhados. Para que a elaboração das reflexões sobre os estudos da tradução ocorresse em evidência e clareza, se fez constante o uso do comentário, com base no gênero textual da Tradução Comentada (BOISSEAU, 2007; SARDIN, 2007; ZAVAGLIA et al., 2015; ZAVAGLIA, 2020)
CONDICIONAMENTO LINGUÍSTICO DOS SUJEITOS: CASO DE ANGOLA
O presente texto, intitulado Condicionamento linguístico dos sujeitos: caso de Angola, visa demonstrar que a política linguística, em Angola, é um fator que contribui para não preservação das línguas angolanas de origem africana e, consequentemente, para o preconceito linguístico. Recorremos à metodologia qualitativa, mais especificamente aos pressupostos da teoria de gramaticalização de Auroux (2001), Possenti (1995) e (2003), da Constituição da República de Angola (2010). Constituem resultados deste exercício acadêmico: i) o condicionamento linguístico dos sujeitos falantes das diferentes línguas de Angola privilegia a Língua Portuguesa e constitui uma estratégia de invisibilização das línguas angolanas de origem africana a médio e longo prazos; ii) O Estado, enquanto agente de poder, valoriza a Língua Portuguesa (des)caracterizada, como estratégia para o silenciamento das línguas de origem africana; ii) há a necessidade de adoção do multilinguismo na estruturas de ensino e da conformação entre a norma-padrão real e a ideal, visando reduzir as divergências existentes no sistema de ensino.
MOÇÕES E SUBJETIVIDADE: A POÉTICA DO EU NA POESIA CACERENSE DE EDSON FLÁVIO
O ato poético estaria entre a linguagem e a emotividade, isto é, na possibilidade de junto às estruturas de manifestação da língua permitir a expressão de nossa paisagem interior. Neste sentido, emoções e poesia não estão subordinadas à racionalização do eu determinado, mas a razão inclusiva, em que os sistemas são abertos e, portanto, abrangentes. Em vista disso, empreendemos uma investigação que congratula poesia e filosofia na obra do poeta cacerense Edson Flávio, em especial seus livros Aldrava (2020) e Intermitência (2023). Nosso objetivo é, com base na filosofia das emoções (Nussbaum, 2003) e da teoria literária (Lima, 206; 2015; 2018; 2021) apontar a maneira mesma da presença do eu poiético como ser capaz de criar sua própria existência, inventando emoldando o seu landscape de maneira a tornar-se o principal agente na produção de sentido poético
A POESIA DE PEDRO TIERRA: TEMPO, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA
O presente artigo tem como objetivo debruçar-se sobre a poesia de Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva. Tendo sido encarcerado entre 1972 e 1977 pelo regime ditatorial brasileiro, Hamilton encontrou na poesia uma forma de resistência e também de registro das torturas sofridas por ele e outros que se opuseram ao regime de exceção. Em nosso artigo, explora-se a presença de imagens referentes ao tempo, tomando como corpus os textos constantes em Poemas do povo da noite, textos estes que foram escritos clandestinamente na prisão e contrabandeados para fora dos porões do DOI-CODI e do DOPS. Busca-se demonstrar como a recorrência ao tempo em seus poemas serve de mecanismo para a manutenção da memória dos anos de chumbo. Conceituaremos tal relação entre tempo e memória a partir dos estudos de Jacques Le Goff, o qual estabelece que a história, enquanto sucessão de acontecimentos definidores do social, encontra-se intimamente ligada à memória, tanto a coletiva quanto a individual. Dada a escassez de artigos sobre a obra de Pedro Tierra, a fortuna crítica utilizada primariamente é composta por textos constantes no que parece a edição definitiva do livro enfocado (2010), escritos por nomes como Pedro Maria Casaldáliga, Ettore Masina, Tristão de Athayde, etc., além dos prefácios de outras obras escritos por Hermann Schulz (A palavra contra o muro) e Alberto Pucheu (Poemas para exumar a história viva)
LITERATURA INFANTIL E INFÂNCIA MIGRANTE: mediações pedagógicas para a inclusão na educação infantil
Este artigo teve como objetivo analisar como a literatura infantil pode favorecer a inclusão de crianças migrantes na Educação Infantil. Trata se de uma pesquisa qualitativa, com entrevistas semiestruturadas usadas com duas professoras da rede públicas de Sinop (MT). Fundamenta-se em autores como Paulo Freire, Caroline Couto, Mantoan e outros. Os resultados indicam que, embora as docentes reconheçam o valor da literatura, enfrentam limitações práticas, como escassez de obras representativas e falta de formação. Conclui-se que a literatura infantil, tem o potencial de romper com paradigmas homogeneizadores, desde que seja utilizada de forma crítica e consciente, conectada com a realidade e as histórias das crianças presentes na sala
BULLYING ESCOLAR E SEUS IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E SAÚDE MENTAL DOS ESTUDANTES
Este artigo analisa o fenômeno do bullying no ambiente escolar, com foco em seus impactos na aprendizagem e na saúde mental de crianças e adolescentes. A pesquisa foi conduzida por meio de abordagem qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas com três psicólogas atuantes em escolas públicas e privadas do município de Sinop, Mato Grosso. O referencial teórico fundamentou-se em autores como Dan Olweus, Cleo Fante, Maria Cecília de Souza Minayo e Aramis Augusto Lopes Neto. Os resultados evidenciam consequências significativas, incluindo baixa autoestima, ansiedade, isolamento social e evasão escolar. Conclui-se que a prevenção e o enfrentamento do bullying exigem atuação conjunta da escola, da família e dos profissionais da saúde
VÍNCULOS ENTRE ESPAÇOS E PERSONAGENS NA PEÇA A FALECIDA, DE NELSON RODRIGUES/LINKS BETWEEN SPACES AND CHARACTERS IN THE PLAY A FALECIDA, BY NELSON RODRIGUES
Nelson Rodrigues ficou conhecido como um dos mais importantes dramaturgos brasileiros tanto no que se refere às inovações que introduziu no teatro quanto pelas temáticas que abordou. Em A falecida, a primeira das suas tragédias cariocas, desponta o drama da protagonista, pobre e tuberculosa, que sonha com um enterro luxuoso. A peça estrutura-se em três atos e seu enredo transcorre em um bairro de subúrbio do Rio Janeiro, cujos personagens transitam pelas suas casas, empresa funerária, sorveteria, escritórios, ruas etc. Dada a relevância que se observa em relação às localidades mencionadas, nosso propósito é assinalar tais espaços e desvendar os significados das relações que eles estabelecem com os seus respectivos núcleos de personagens. Como suporte para as análises pretendidas, valer-nos-emos dos estudos de Castro (1999), Rabelo (2019), Magaldi (1985, 1997), Pascolati (2009), Ryngaert (1995), Silva (2016).
 
POR QUE AS LÍNGUAS MUDAM? POR QUE VARIAMOS?
A mudança e variação linguística são fenômenos complexos que permeiam todas as línguas naturais. Este artigo explora as razões por trás desses processos intrincados, lançando luz sobre o que leva as línguas a evoluírem ao longo do tempo e por que as pessoas variam em sua fala. Neste artigo, nosso objetivo é revisitar as visões da Sociolinguística, com foco especial no Constructo da Variação e da Mudança Linguística (Weinreich, Labov, Herzong, 2006), e considerar como essa abordagem se relaciona com de outras correntes linguísticas, como o Estruturalismo, o Gerativismo, o Funcionalismo e a Linguística Cognitiva. Neste contexto, também apresentamos os níveis de apreciação e avaliação social dos fenômenos linguísticos (Labov 2008[1972]), bem como o contínuo de urbanização de Bortoni-Ricardo (2004). Exploramos como as formas linguísticas se relacionam às dinâmicas sociais no processo de escolha dos fenômenos na fala, destacando como tais fenômenos são indexados às estruturas sociais durante esse o processo de variação linguística