A POESIA DE PEDRO TIERRA: TEMPO, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

Abstract

O presente artigo tem como objetivo debruçar-se sobre a poesia de Pedro Tierra, pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva. Tendo sido encarcerado entre 1972 e 1977 pelo regime ditatorial brasileiro, Hamilton encontrou na poesia uma forma de resistência e também de registro das torturas sofridas por ele e outros que se opuseram ao regime de exceção. Em nosso artigo, explora-se a presença de imagens referentes ao tempo, tomando como corpus os textos constantes em Poemas do povo da noite, textos estes que foram escritos clandestinamente na prisão e contrabandeados para fora dos porões do DOI-CODI e do DOPS. Busca-se demonstrar como a recorrência ao tempo em seus poemas serve de mecanismo para a manutenção da memória dos anos de chumbo. Conceituaremos tal relação entre tempo e memória a partir dos estudos de Jacques Le Goff, o qual estabelece que a história, enquanto sucessão de acontecimentos definidores do social, encontra-se intimamente ligada à memória, tanto a coletiva quanto a individual. Dada a escassez de artigos sobre a obra de Pedro Tierra, a fortuna crítica utilizada primariamente é composta por textos constantes no que parece a edição definitiva do livro enfocado (2010), escritos por nomes como Pedro Maria Casaldáliga, Ettore Masina, Tristão de Athayde, etc., além dos prefácios de outras obras escritos por Hermann Schulz (A palavra contra o muro) e Alberto Pucheu (Poemas para exumar a história viva)

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