8 research outputs found

    Nova embalagem, mercadoria antiga

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    In view of the institutional interventions of the proponents of the phonic method in literacy, and aiming at its substitution in the path promoted by the National Curriculum Parameters in Brazil, this article analyzes two texts representative of this new front: the report delivered to the Brazilian House of Representatives, and a text prepared by the Observatoire National de la Lecture (ONL), an institution referenced in the report. The two texts analyzed, expressing the views of the ONL, define the act of reading as a sequence of two separate processes: an extraction of the pronunciation, followed by an extraction of understanding. Recovering the Saussurian view that considers the written language as a mere representation of oral language, the ONL sees in the graphemes only the translation of phonemes, and in the reading the transposition of the former into the latter. To those authors, the specificity of reading is to be found in the "decoding". By deferring the understanding to a later stage, they transform the reading into an activity that, operating outside the sphere of meaning, ceases to be an act of language. From such a vision of writing, the pedagogical proposal consequently promotes a two-stage approach to be followed by each and every child, disregarding their individual previous experience. However, partially literate through their contact with children literature and by listening to texts of fiction, children not always start with the "extraction of pronunciation", thereby eluding the program predicted by the ONL. This return to a proposal that resembles the method of the primer, with its deciphering-fluent reading sequencing, cannot be the answer to the needs of a country that wishes to eradicate functional illiteracy.Diante das intervenções institucionais dos promotores do método fônico na aprendizagem da escrita, visando substituí-lo ao caminho promovido pelos Parâmetros Curriculares, o artigo analisa dois textos representativos dessa nova frente: o Relatório entregue à Câmara dos Deputados do Brasil e um texto do Observatoire National de la Lecture (ONL), instituição referenciada no Relatório. Os dois textos analisados, expressando a visão do ONL, definem o ato de ler como uma seqüência de dois processos distintos: uma extração da pronúncia, seguida por uma extração da compreensão. Retomando a visão saussuriana que considera a língua escrita como uma mera representação da língua oral, o ONL vê nos grafemas apenas a tradução dos fonemas e, na leitura, a transposição dos primeiros nos segundos. A especificidade da leitura, para os autores, encontra-se na 'decodificação'. Ao postergar a compreensão para uma segunda etapa, transformam a leitura em uma atividade que, operando fora do significado, deixa de ser um ato de linguagem. A partir dessa visão da escrita, a proposta pedagógica promove conseqüentemente uma abordagem em duas etapas a serem seguidas pela totalidade das crianças, sem considerar a experiência personalizada anterior. No entanto, parcialmente letradas pelo contato com a literatura infanto-juvenil e pela escuta de textos de ficção, nem sempre as crianças começam pela extração da pronúncia, escapando assim ao programa previsto pelo ONL. Esse retorno de uma proposta que apresenta semelhanças com o método da cartilha, com sua seqüência decifração e leitura corrente, não pode constituir uma resposta às necessidades de um país que quer erradicar o analfabetismo funcional

    Afinal, onde está a leitura?

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    A ausência de material escrito em exposição e à disposição dos alunos das séries iniciais de escolas públicas no Brasil alerta para uma grave distorção. No esteio do construtivismo e outras tendências, a introdução à língua escrita dá-se através da produção de texto pela criança, negligenciando-se a leitura. Este artigo faz um breve apanhado das práticas sociais da escrita e de sua história, assim como do nexo entre o papel do pedagogo e a pesquisa sobre alfabetização - especialmente as realizadas por Emilia Ferreiro e seguidores. Apontando os efeitos em sala de aula decorrentes da primazia à produção de texto na aprendizagem da língua, pleiteia medidas para corrigir a distorção e levar os alfabetizados ao efetivo domínio da leitura

    Nova embalagem, mercadoria antiga

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    In view of the institutional interventions of the proponents of the phonic method in literacy, and aiming at its substitution in the path promoted by the National Curriculum Parameters in Brazil, this article analyzes two texts representative of this new front: the report delivered to the Brazilian House of Representatives, and a text prepared by the Observatoire National de la Lecture (ONL), an institution referenced in the report. The two texts analyzed, expressing the views of the ONL, define the act of reading as a sequence of two separate processes: an extraction of the pronunciation, followed by an extraction of understanding. Recovering the Saussurian view that considers the written language as a mere representation of oral language, the ONL sees in the graphemes only the translation of phonemes, and in the reading the transposition of the former into the latter. To those authors, the specificity of reading is to be found in the "decoding". By deferring the understanding to a later stage, they transform the reading into an activity that, operating outside the sphere of meaning, ceases to be an act of language. From such a vision of writing, the pedagogical proposal consequently promotes a two-stage approach to be followed by each and every child, disregarding their individual previous experience. However, partially literate through their contact with children literature and by listening to texts of fiction, children not always start with the "extraction of pronunciation", thereby eluding the program predicted by the ONL. This return to a proposal that resembles the method of the primer, with its deciphering-fluent reading sequencing, cannot be the answer to the needs of a country that wishes to eradicate functional illiteracy.Diante das intervenções institucionais dos promotores do método fônico na aprendizagem da escrita, visando substituí-lo ao caminho promovido pelos Parâmetros Curriculares, o artigo analisa dois textos representativos dessa nova frente: o Relatório entregue à Câmara dos Deputados do Brasil e um texto do Observatoire National de la Lecture (ONL), instituição referenciada no Relatório. Os dois textos analisados, expressando a visão do ONL, definem o ato de ler como uma seqüência de dois processos distintos: uma extração da pronúncia, seguida por uma extração da compreensão. Retomando a visão saussuriana que considera a língua escrita como uma mera representação da língua oral, o ONL vê nos grafemas apenas a tradução dos fonemas e, na leitura, a transposição dos primeiros nos segundos. A especificidade da leitura, para os autores, encontra-se na 'decodificação'. Ao postergar a compreensão para uma segunda etapa, transformam a leitura em uma atividade que, operando fora do significado, deixa de ser um ato de linguagem. A partir dessa visão da escrita, a proposta pedagógica promove conseqüentemente uma abordagem em duas etapas a serem seguidas pela totalidade das crianças, sem considerar a experiência personalizada anterior. No entanto, parcialmente letradas pelo contato com a literatura infanto-juvenil e pela escuta de textos de ficção, nem sempre as crianças começam pela extração da pronúncia, escapando assim ao programa previsto pelo ONL. Esse retorno de uma proposta que apresenta semelhanças com o método da cartilha, com sua seqüência decifração e leitura corrente, não pode constituir uma resposta às necessidades de um país que quer erradicar o analfabetismo funcional

    Le théâtre entre "Les chaises"

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    Com o presente artigo o autor propõe aos educadores do ensino fundamental e médio que na sua prática pedagógica se servem, entre outros, de textos dramáticos enquanto forma puramente literária, passem a encará-los enquanto teatro / enquanto prática cênica a partir de uma didática da leitura e da transmissão vocal baseadas numa semiótica e numa formação teatrais. Palavras-chaves: Teatro e ensino; didática da leitura; didática da transmissão vocal; semiótica teatral

    Desafios contemporâneos da educação

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    Se historicamente a educação escolar no Brasil foi marcada por um profundo corte elitista, o processo de democratização do ensino apresentou incontestáveis avanços desde a Constituição de 1988. A caminhada pela universalização, no entanto, não se deu à margem de suas heranças históricas, bem como novas fronteiras surgiram para o desafio da educação emancipatória. Esta obra reúne 17 ensaios que debatem os dilemas existentes no cotidiano da sala de aula. Divididos em três partes - " Educação, culturas realidade social", "Políticas educacionais" e "A escola" -, os textos coligidos abordam temas variados relacionados à prática escolar, como cidadania, políticas afirmativas e gestão administrativa, e compõem um cenário contemporâneo dos principais desafios colocados para a educação de nosso tempo
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