O câncer cervical (CC) continua sendo a quarta neoplasia maligna mais comum entre
mulheres no mundo. No Brasil, o rastreamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é
realizado pela citologia oncótica (CO), que detecta lesões pré-cancerígenas e permite o
diagnóstico precoce. As diretrizes recomendam iniciar o rastreamento aos 25 anos, com dois
resultados negativos por ano, e depois a cada três anos até os 64 anos. Apesar desse programa
estruturado, as desigualdades regionais contribuem para diagnósticos tardios e desfechos
desfavoráveis. Este estudo objetiva correlacionar a cobertura do rastreamento do CO com o
acompanhamento de mulheres com CC no Distrito Federal (DF). Trata-se de uma análise
epidemiológica transversal usando dados secundários do DATASUS, incluindo mulheres de
25 a 64 anos que realizaram CO entre 2020 e 2025. Um total de 234.005 testes foram
analisados; 88,5% foram satisfatórios, dos quais 94% foram negativos para malignidade.
Entre os resultados anormais, 6% apresentaram alterações citológicas: 6,0% ASC-US; 0,9%
LSIL; 1,6% ASC-H; 1,0% HSIL; 0,6% AGUS; e 0,002% adenocarcinoma in situ, com 0,04%
neoplasias invasivas. Apesar desses resultados, apenas 3,7% das mulheres com achados
anormais continuaram o acompanhamento diagnóstico ou terapêutico. O rastreamento
concentrou-se entre mulheres asiáticas (56,3%) e brancas (23,9%), com sub-representação de
indígenas, pretas e pardas. Pontua-se que a baixa taxa de acompanhamento compromete a
eficácia e pode resultar em aumento da mortalidade. Esses achados destacam desigualdades
no acesso e na adesão, destacando a necessidade de políticas que garantam a integralidade e
estendam a cobertura do rastreamento a populações vulneráveis
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