O transplante pediátrico de órgãos sólidos, especialmente fígado e rim, passou por avanços
técnicos relevantes que permitiram melhorar os desfechos clínicos. Entre as principais inovações,
destacam-se os enxertos de doadores vivos (LD) e os de doadores falecidos divididos (sDD), que,
quando aplicados com critérios rigorosos, alcançam taxas semelhantes de sobrevida a longo prazo.
Estudos demonstram que, no transplante hepático, sDD apresentam maior tempo de isquemia fria,
maiores níveis de ALT no pós-operatório e internações mais prolongadas. Ainda assim,
morbidade grave, complicações vasculares, biliares e mortalidade precoce não diferem
significativamente entre os grupos, e a sobrevida em dez anos se mantém equivalente. Já no
transplante renal, doadores vivos oferecem vantagens como maior probabilidade de transplante
preemptivo, menor incompatibilidade HLA e melhor sobrevida do enxerto, embora a aceitação de
candidatos a doadores seja limitada por contraindicações médicas, anatômicas, imunológicas e
psicológicas. Questões éticas ganham destaque, sobretudo em doação viva pediátrica, que requer
salvaguardas específicas. Do ponto de vista técnico, avanços como enxertos hiper-reduzidos,
reconstruções arteriais e venosas e políticas de alocação com priorização pediátrica contribuíram
para reduzir complicações e mortalidade em lista de espera. Além disso, receptores de rins e
fígados de mães vivas apresentaram menor rejeição, possivelmente pelo microquimerismo
materno. Persistem, no entanto, desafios como maior taxa de retransplantes em sDD e
complicações tardias, incluindo doenças linfoproliferativas. Conclui-se que as inovações técnicas consolidaram os transplantes pediátricos como alternativa eficaz e segura, desde que sustentadas
por seleção rigorosa, logística eficiente, protocolos imunológicos adequados e princípios éticos
bem definidos
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