Epidemiologia e índice de lesões no Trail Running em Portugal

Abstract

Dissertação de mestrado apresentada para obtenção do grau de Mestre em Treino Desportivo, na Escola Superior de Desporto e Lazer, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo.O objetivo principal desta dissertação foi analisar e caracterizar a epidemiologia das lesões em praticantes de Trail Running em Portugal, identificando o índice de lesões mais frequentes, as suas causas, e os fatores de risco associados. Pretende-se, ainda, avaliar as práticas de treino e prevenção de lesões adotadas pelos atletas, bem como fornecer recomendações para a mitigação de riscos, contribuindo assim para a melhoria da segurança e performance dos praticantes desta modalidade. Assim, e tratando-se de uma modalidade relativamente recente, em Portugal, esta dissertação propõe-se realizar a comparação de dados, com uma diferença temporal de 6 anos, do artigo de Matos e colaboradores publicado em 2021, com dados referentes ao ano de 2018. Utilizando a mesma metodologia, e segundo uma amostra de 842 atletas recreativos de Trail Running residentes em Portugal no ano de 2023, verificou-se que 70.9% contraíram pelo menos uma lesão, o que significa que ocorreu um decréscimo de 16.9% de atletas afetados, pelo menos por uma lesão. Também se verificou uma redução, de uma lesão relatada por cada 1000 horas de treino/competição. No estudo de 2018 não se verificou uma diferença significativa de lesões entre homens e mulheres, sendo que em 2023 as mulheres foram significativamente mais afetadas por lesões. Os locais/regiões do corpo onde se verificaram mais lesões (pé, joelho, tornozelo) foram os mesmos em ambos os estudos, assim como as formas de tratamento também foram as mesmas, tendo a Terapia convencional (Fisioterapeuta / Massagista) sido a preferencial em ambos os estudos. Os dados recolhidos sobre os hábitos de treino dos atletas amadores de Trail Running em Portugal revela diferenças significativas entre homens e mulheres. Os homens têm mais anos de experiência e competem em distâncias maiores, enquanto as mulheres tendem a procurar mais acompanhamento especializado, como treinadores e nutricionistas. Embora a corrida seja a atividade principal de ambos, as mulheres relataram maior interesse em práticas complementares, como o ciclismo e o treino de força. Os homens participam mais em provas de longas distâncias (mais de 44 quilómetros) do que as mulheres, mas ambos optam preferencialmente por provas de curta distância (menos de 44 quilómetros). Os presentes dados demonstram uma diminuição no número de atletas afetados por lesões e uma redução na incidência de lesões por 1000 de prática, sugerindo que as estratégias de treino e competição entretanto implementadas estão a ser mais eficazes, resultando em atletas mais saudáveis, por um maior período de tempo. Este fato pode também ser explicado pelo acumular de experiência por parte dos atletas, apesar de o índice e prevalência de lesões associadas à prática do Trail Running em Portugal continuarem com valores elevados. Salientamos que as mulheres apresentam uma taxa de lesões maior que os homens, especialmente quando ambos têm treinador. No entanto, e fora do que seria expectável, para os homens, o acompanhamento de um treinador está associado a menos lesões, enquanto para as mulheres, ocorre o oposto, o que pode indiciar uma a falta de individualização dos planos de treino e a ausência de medidas objetivas de avaliação ou simplesmente dever-se ao facto de as mulheres tenderem a reduzir a diferença de desempenho em provas de endurance em relação aos homens, o que pode influenciar negativamente a gestão e tolerância ao treino. Surpreendentemente, os atletas que não realizam aquecimento apresentaram menos lesões, embora aqueles que sempre aquecem tenham menos lesões do que os que aquecem ocasionalmente. Estando a tipologia de lesão e respetiva localização inalteradas ao longo do tempo, assim como o momento em que a lesão é contraída identificado. Poderemos com estes dados ajudar a prevenir e a tratar adequadamente as respetivas lesões, além de com estes dados, treinadores e demais agentes desportivos possam ajustar os seus planos de treino e prescrever com base em mais informação pertinente as cargas de treino e respetivos períodos de recuperação, contribuindo decisivamente para a taxa de lesões continuar a diminuir ao longo do tempo.The primary aim of this dissertation was to analyze and characterize the epidemiology of injuries among Trail Running practitioners in Portugal, identifying the most frequent injury rates, their causes, and associated risk factors. Additionally, it aims to evaluate the training and injury prevention practices adopted by athletes, providing recommendations to mitigate risks and thereby improve the safety and performance of participants in this sport. Given that Trail Running is a relatively recent sport in Portugal, this dissertation also seeks to compare data, with a temporal difference of six years, from the article by Matos et al. published in 2021, with data referring to the year 2018. Using the same methodology and a sample of 842 recreational Trail Running athletes residing in Portugal in 2023, it was found that 70.9% had sustained at least one injury, indicating a 16.9% decrease in affected athletes compared to previous years. There was also a reduction in injuries reported per 1000 hours of training/competition. In the 2018 study, there was no significant difference in injury rates between men and women, whereas in 2023, women were significantly more affected by injuries. The body regions most frequently injured (foot, knee, ankle) were consistent across both studies, as were the treatment methods, with conventional therapy (Physiotherapist/Massage Therapist) being the preferred approach in both cases. The data collected on the training habits of amateur Trail Running athletes in Portugal reveal significant differences between men and women. Men have more years of experience and compete in longer distances, while women tend to seek more specialized support, such as coaches and nutritionists. Although running is the main activity for both genders, women reported a greater interest in complementary practices such as cycling and strength training. Men participate more in long-distance events (over 44 kilometers) compared to women, but both prefer short-distance events (less than 44 kilometers). These data demonstrate a decrease in the number of athletes affected by injuries and a reduction in the incidence of injuries per 1000 hours of practice, suggesting that the training and competition strategies implemented in the meantime are more effective, resulting in healthier athletes for longer periods. This may also be explained by the accumulated experience of the athletes, despite the injury rate and prevalence associated with Trail Running in Portugal remaining high. Notably, women exhibit a higher injury rate than men, especially when both have a coach. However, contrary to expectations, for men, having a coach is associated with fewer injuries, while for women, the opposite is true. This could indicate a lack of individualization in training plans and the absence of objective evaluation measures or simply be due to women closing the performance gap in endurance events compared to men, which may negatively influence training management and tolerance. Surprisingly, athletes who did not warm up had fewer injuries, although those who always warmed up had fewer injuries than those who warmed up occasionally. With the type and location of injuries remaining unchanged over time, and the timing of injury occurrence identified, these data can help prevent and appropriately treat injuries. Moreover, these insights can assist coaches and other sports agents in adjusting their training plans and prescribing training loads and recovery periods more effectively, contributing significantly to the continued reduction in injury rates over time

Similar works

Full text

thumbnail-image

IPVC Repository

redirect
Last time updated on 05/03/2025

This paper was published in IPVC Repository.

Having an issue?

Is data on this page outdated, violates copyrights or anything else? Report the problem now and we will take corresponding actions after reviewing your request.