12 research outputs found

    Padrões de atividade de morcegos insetívoros aéreos no limite sul da Mata Atlântica : influência de variáveis meteorológicas e do habitat

    Get PDF
    Os padrões de atividade de muitas espécies de morcegos têm sido frequentemente associados à disponibilidade de alimento, à estrutura da vegetação e ao clima. Usualmente há maior atividade em áreas com maior disponibilidade de recursos alimentares e em ambientes que permitem maior facilidade de deslocamento. Em geral, a atividade de morcegos reduz em períodos com temperaturas extremas, sabendo-se que a redução da atividade de morcegos durante períodos frios está relacionada tanto com questões fisiológicas associadas ao balanço entre produção e perda de calor, quanto com ciclos reprodutivos das espécies. Sendo assim, o objetivo geral deste trabalho é avaliar a influência de variáveis meteorológicas e do habitat sobre os padrões de atividade de morcegos em uma região de clima temperado do Brasil. A avaliação da atividade dos morcegos foi realizada entre janeiro e maio de 2016, por meio de monitoramento acústico. Para relacionar a atividade dos morcegos com as condições meteorológicas locais, sensores de temperatura e umidade conectados a data loggers foram instalados perto de cada detector de ultrassom. O número de passagens de morcegos e o número de chamados de alimentação foram comparados entre guildas de uso do espaço – morcegos forrageadores de áreas abertas e morcegos forrageadores de bordas – e entre tamanhos – morcegos pequenos (entre 4g e 8g) e morcegos grandes (entre 30g e 35g). O local onde se registrou maior atividade de morcegos foi uma área aberta em meio a um contínuo de Floresta Ombrófila Densa, localizado em baixa altitude e maiores níveis de atividade de alimentação foram registrados em locais próximos a fontes de água. O padrão de atividade diferiu significativamente entre as guildas: morcegos forrageadores de espaço aberto apresentaram os maiores níveis de atividade concentrados nas primeiras horas da noite e em temperaturas entre 12°C e 16°C, enquanto os forrageadores de borda mantiveram atividade razoavelmente constante ao longo da noite e entre 16°C e 20°C. Um possível aumento da densidade de insetos em estratos altos ao anoitecer pode otimizar o sucesso de captura dos forrageadores de espaços abertos de tal forma que possibilitaria a concentração da atividade neste período. O padrão de atividade de morcegos grandes e pequenos também diferiu significativamente: a atividade de morcegos grandes ocorreu em temperaturas mais baixas do que a de morcegos pequenos. Como esperado, a temperatura de atividade de morcegos grandes foi mais baixa do que a de morcegos pequenos. Estimou-se, que a temperatura que limita a atividade de morcegos grandes é mais baixa do que a temperatura que limita a atividade dos morcegos pequenos. Isto é uma consequência esperada em razão da maior inércia térmica de animais de maior tamanho corporal, desse modo a temperatura crítica mínima dos morcegos grandes deve ser sempre menor do que a dos morcegos pequenos. A temperatura e o habitat parecem explicar os padrões de atividade tanto de morcegos forrageadores de espaço aberto e de borda, quanto de diferentes tamanhos corporais em um clima temperado mesotérmico no Brasil.The activity patterns of many bat species have often been associated with food availability, vegetation structure and climate. There is usually more activity in areas with higher availability of food resources, and in landscapes that allow greater ease of commuting. The activity is generally reduced in periods with more extreme temperatures, and it is known that the reduction of bat activity during cold periods is related both to physiological issues associated to the balance between production and heat loss, and to the reproductive cycles of the species’. Therefore, the general objective of this work is to evaluate the influence of meteorological and habitat variables on the pattern of bat activity in a temperate region of Brazil. The evaluation of bat activity was carried out between January and May 2016, through acoustic monitoring. To relate bat activity to local weather conditions, temperature and humidity sensors connected to data loggers were installed near each ultrasound detector. The number of bat passes and the number of feeding buzzes were compared between guilds of space use – open and edge foragers bats – and between different body sizes – small bats (between 4g and 8g) and large bats (between 30g and 35g). The area where the largest bat activity was recorded was a continuous area of Dense Ombrophylous Forest, located at low altitude, and the highest feeding activity was recorded in sites near water sources. The activity pattern differed significantly among guilds: open-space foraging bats registered the highest activity levels concentrated in the early hours of the night and were active at lower temperatures, while edge-space foragers maintained activity reasonably constant throughout the night, though focusing their activity at higher temperatures. A possible increase in insect density in high strata at dusk can optimize the success of capture of open space foragers in such a way that would allow the concentration of activity in this period. The pattern of activity of large and small bats also differed significantly: large bats were more frequently recorded at lower temperatures than small bats. As expected, the activity of large bats occurred at lower temperatures than that of small bats. It was estimated that the limiting temperature to the activity of the large bats is lower than that to small bats. This is an expected consequence because of the greater thermal inertia of animals of larger body size, thus the minimum critical temperature of large bats should always be smaller than that of small bats. Temperature and habitat seem to explain the activity patterns of both foraging bats of open space and border, and of different body sizes in a temperate mesothermic climate in Brazil

    Regularização fundiária em unidades de conservação no Rio Grande do Sul

    No full text
    Estudos já apontaram Unidades de Conservação como uma estratégia efetiva para a proteção da biodiversidade por meio da redução de várias ameaças, especialmente a mais crítica, a perda de habitat. Algumas das Unidades de Conservação de Proteção Integral são de posse e domínio públicos, ou seja, as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas e incluídas ao patrimônio do Estado, de acordo com o que dispõe a Lei do SNUC. O imperativo de desapropriação das Unidades de Proteção Integral acaba por gerar diversos conflitos em relação ao domínio de suas terras. Por isso a regularização fundiária nas Unidades de Conservação é a maior dificuldade e a primeira prioridade no seu manejo, sendo imprescindível, para tanto, um diagnóstico da situação atual das Unidades de Conservação, para posterior concepção de estratégias de regularização. O objetivo deste trabalho é contribuir para a discussão e elaboração de políticas públicas que buscam a integralização das terras de Unidades de Conservação ao patrimônio público. Para tanto, realizamos uma análise da situação atual do sistema de Unidades de Conservação no Rio Grande do Sul, avaliando a dimensão atual do sistema e sua evolução no tempo, a evolução da regularização fundiária no tempo e os mecanismos e fontes de recursos adotados em cada caso para a regularização. No total, o Rio Grande do Sul conta hoje com 300.669,79 hectares (ha) protegidos por Unidades de Conservação da esfera estadual correspondentes a 1,1% do seu território. Dessas áreas protegidas, 71,3% (214.431,39 ha) constituem as Unidades de Conservação de Uso Sustentável e apenas 28,7% (86.238,4 ha) as de Proteção Integral. Apenas 40,8% do território das Unidades de Proteção Integral estão regularizados, sendo notável o decréscimo da proporção da área protegida com situação fundiária regularizada ao longo do tempo. Atualmente seis das 19 Unidades de Proteção Integral não possuem regularização alguma, sete Unidades têm menos de 60% de sua área regularizada e outras seis Unidades, estão totalmente integradas ao Estado. Do total de 35.172,78 ha regularizados, 68,8% ocorreram por meio de Ações Discriminatórias, 26,3% por Desapropriações, ficando as regularizações realizadas por meio de Compra Direta em apenas 4,9%. Atualmente a aquisição das propriedades é realizada majoritariamente com utilização de recursos da Compensação Ambiental. Apenas com a cooperação do governo, órgãos gestores e sociedade e com a organização estratégica das políticas públicas de meio ambiente será possível que as Unidades de Conservação sejam efetivas na proteção da rica diversidade biológica, cultural e de serviços ecossistêmicos estaduais e nacionais. É imprescindível que a elaboração dessas políticas públicas seja breve, pois pode gerar um salto na gestão das unidades de modo a melhorar a situação de desamparo das UCs que já estão implantadas, tirar do papel UCs que ainda não existem efetivamente e amparar a população local que tem atividades e costumes afetados pela desapropriação de suas terras

    Regularização fundiária em unidades de conservação no Rio Grande do Sul

    No full text
    Estudos já apontaram Unidades de Conservação como uma estratégia efetiva para a proteção da biodiversidade por meio da redução de várias ameaças, especialmente a mais crítica, a perda de habitat. Algumas das Unidades de Conservação de Proteção Integral são de posse e domínio públicos, ou seja, as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas e incluídas ao patrimônio do Estado, de acordo com o que dispõe a Lei do SNUC. O imperativo de desapropriação das Unidades de Proteção Integral acaba por gerar diversos conflitos em relação ao domínio de suas terras. Por isso a regularização fundiária nas Unidades de Conservação é a maior dificuldade e a primeira prioridade no seu manejo, sendo imprescindível, para tanto, um diagnóstico da situação atual das Unidades de Conservação, para posterior concepção de estratégias de regularização. O objetivo deste trabalho é contribuir para a discussão e elaboração de políticas públicas que buscam a integralização das terras de Unidades de Conservação ao patrimônio público. Para tanto, realizamos uma análise da situação atual do sistema de Unidades de Conservação no Rio Grande do Sul, avaliando a dimensão atual do sistema e sua evolução no tempo, a evolução da regularização fundiária no tempo e os mecanismos e fontes de recursos adotados em cada caso para a regularização. No total, o Rio Grande do Sul conta hoje com 300.669,79 hectares (ha) protegidos por Unidades de Conservação da esfera estadual correspondentes a 1,1% do seu território. Dessas áreas protegidas, 71,3% (214.431,39 ha) constituem as Unidades de Conservação de Uso Sustentável e apenas 28,7% (86.238,4 ha) as de Proteção Integral. Apenas 40,8% do território das Unidades de Proteção Integral estão regularizados, sendo notável o decréscimo da proporção da área protegida com situação fundiária regularizada ao longo do tempo. Atualmente seis das 19 Unidades de Proteção Integral não possuem regularização alguma, sete Unidades têm menos de 60% de sua área regularizada e outras seis Unidades, estão totalmente integradas ao Estado. Do total de 35.172,78 ha regularizados, 68,8% ocorreram por meio de Ações Discriminatórias, 26,3% por Desapropriações, ficando as regularizações realizadas por meio de Compra Direta em apenas 4,9%. Atualmente a aquisição das propriedades é realizada majoritariamente com utilização de recursos da Compensação Ambiental. Apenas com a cooperação do governo, órgãos gestores e sociedade e com a organização estratégica das políticas públicas de meio ambiente será possível que as Unidades de Conservação sejam efetivas na proteção da rica diversidade biológica, cultural e de serviços ecossistêmicos estaduais e nacionais. É imprescindível que a elaboração dessas políticas públicas seja breve, pois pode gerar um salto na gestão das unidades de modo a melhorar a situação de desamparo das UCs que já estão implantadas, tirar do papel UCs que ainda não existem efetivamente e amparar a população local que tem atividades e costumes afetados pela desapropriação de suas terras
    corecore