'Revista Interfaces: Saude, Humanas e Technologia'
Abstract
Este artigo tem como objetivo problematizar o funcionamento discursivo da voz e da fala cantada a partir da discursividade das telas e seus efeitos na constituição do sujeito-criança brasileiro. Ancorado na Análise do Discurso de orientação pecheuxtiana, o estudo mobiliza a noção de materialidade discursiva para analisar a circulação intensiva de canções populares em plataformas digitais, compreendendo-as como discursos atravessados pela ideologia e pelas condições históricas de produção. A análise explicita que a repetição, intensificada pelos mecanismos algorítmicos, não opera de modo inocente, uma vez que estabiliza sentidos e fixa posições de sujeito, interpelando a criança por meio da voz antes mesmo de uma elaboração consciente do significado. Nesse funcionamento, o sujeito-criança não se configura apenas como espectador, mas como sujeito que canta, reproduz e reinscreve os discursos que o atravessam cotidianamente. Ao considerar esse movimento, o artigo aponta para um deslocamento no funcionamento do popular, que passa a se constituir sob condições de produção mediadas pela tela e destaca o papel da voz e da fala cantada como operadores discursivos centrais nos processos de assujeitamento e produção de sentidos na infância contemporânea brasileira
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