A crescente diversidade das estruturas familiares, particularmente das famílias reconstruídas, configura novos desafios à prestação de cuidados de saúde familiar. Estas famílias, caraterizadas pela reconfiguração das relações parentais e conjugais, exigem uma abordagem sensível às dinâmicas complexas que emergem da convivência entre elementos com diferentes histórias de vida. A pertinência da sua abordagem em contexto de Enfermagem de Saúde Familiar advém da necessidade de respostas ajustadas que promovam a capacitação dos seus membros e a adaptação positiva às transições vivenciadas, nomeadamente a parentalidade.
O presente relatório foi desenvolvido no âmbito das Unidades Curriculares Estágio de Natureza Profissional em Enfermagem de Saúde Familiar com Relatório – Módulo I e Módulo II, do Curso de Mestrado em Enfermagem Comunitária na Área de Enfermagem de Saúde Familiar da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda, no ano letivo 2024/2025. Este documento tem como finalidade apresentar e descrever as atividades desenvolvidas durante os estágios, evidenciando o processo de aquisição e desenvolvimento de competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, (Regulamento n.º 428/2018) definidas pela Ordem dos Enfermeiros.
Para a concretização do processo de desenvolvimento de competências, foram definidos os seguintes objetivos: prestar cuidados à família, enquanto unidade de cuidados e aos seus membros, ao longo do ciclo vital e nos diferentes níveis de prevenção, e liderar e colaborar em processos de intervenção no âmbito da Enfermagem de Saúde Familiar.
A prática clínica decorreu com foco na intervenção junto de famílias reconstruídas com filhos, sendo orientada por uma abordagem sistémica e holística, sustentada teoricamente pelo Modelo Dinâmico de Avaliação e Intervenção Familiar. Este referencial permitiu uma avaliação estruturada das áreas relevantes do sistema familiar, o estabelecimento de diagnósticos de enfermagem e a implementação de intervenções direcionadas às necessidades identificadas, promovendo o empoderamento familiar.
Entre as atividades realizadas, destaca-se igualmente o planeamento, apresentação e início da implementação do projeto de melhoria contínua “Saúde de Berço”, direcionado para a promoção da vigilância neonatal, concretizada através de visitas domiciliárias aos recém-nascidos até ao 15.º dia de vida, reforçando a qualidade dos cuidados e o apoio às famílias, salvaguardando a prevenção precoce de complicações neonatais e promovendo a equidade no acesso aos cuidados de saúde primários.
A colaboração efetiva entre enfermeiro e família, baseada na empatia, escuta ativa e contratualização de objetivos, foi determinante para a criação de uma ligação terapêutica promotora da adaptação familiar e do desenvolvimento de competências parentais em contextos complexos. As intervenções realizadas contribuíram para ganhos em saúde, nomeadamente no reforço da coesão familiar e na melhoria da comunicação.
Os estágios revelaram-se uma oportunidade privilegiada para o desenvolvimento de competências clínicas especializadas e para a consolidação do pensamento crítico-reflexivo, contribuindo para a qualificação da prática e para o fortalecimento da evidência em Enfermagem de Saúde Familiar. Como implicações e recomendações futuras, destaca-se a necessidade de aprofundar a investigação sobre intervenções dirigidas a famílias reconstruídas, promovendo práticas baseadas na evidência que respondam às especificidades destes contextos familiares
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