In recent years, there has been an increase in the consumption of fresh fruits and vegetables from small local producers. At the same time, a rise in the number of foodborne outbreaks associated with the consumption of these products has been observed. Preventing such outbreaks requires the rigorous implementation of food safety practices throughout the entire supply chain, namely through the systematic application of Good Agricultural Practices (GAP) and Good Handling Practices (GHP). The main objectives of this study were to: i) assess the perceptions of both consumers and producers regarding food safety, with a particular focus on local and small-scale horticultural production; ii) identify hazards present in their supply chains and determine the level of compliance with food safety practices, GAP and GHP; and iii) implement a food safety management system adapted to these supply chains, using innovative and low-cost methods. The overall goal is to support small local producers in providing safer horticultural products to consumers, by raising awareness among both producers and consumers of the importance of good practices and their effective implementation. The results showed that both groups value several aspects related to food safety and demonstrate some awareness of the topic. Various hazards were identified in the analysed fruits and vegetables, soils, and irrigation water, including protozoa (Toxoplasma gondii and Giardia intestinalis in vegetables); pathogenic bacteria (such as Bacillus cereus in food and Listeria monocytogenes in irrigation water); pesticides previously banned by the European Union (although detected below the established Maximum Residue Limits); and phosphate flame retardants (PFRs), found at high concentrations. A seasonal variation in the hazards identified was observed, with differences between summer and winter, highlighting the potential impact of climatic conditions on the occurrence and fluctuation of these hazards, particularly under extreme weather events. The study also found that certain practices are more easily adopted by producers. However, the implementation of traceability linked to food safety proved to be particularly challenging, mainly due to the lack of operational records, often associated with personal and organisational factors of the producers themselves. The studies conducted in this thesis may be replicated in other geographical contexts, particularly in developed countries, where data on food safety within the supply chains of small scale local horticultural producers remain scarce. Consolidating knowledge in this area requires the development and continuous updating of targeted training programes for both producers and consumers, aiming to promote greater food safety literacy. In parallel, addressing the challenges faced by small Portuguese producers calls for more active involvement from regional associations, as well as the provision of strategic and financial support from governmental bodies. The coordinated implementation of these measures could lead to tangible improvements in the safety of horticultural products placed on the market by these producers.Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento do consumo de frutas e legumes provenientes de pequenos produtores locais. Paralelamente, tem aumentado o número de surtos de toxinfeções alimentares associadas ao consumo destes produtos. A prevenção de toxinfeções alimentares decorrentes do consumo destes produtos requer a implementação rigorosa de práticas de segurança alimentar ao longo da cadeia de abastecimento, incluindo a aplicação sistemática das Boas Práticas Agrícolas (BPA) e das Boas Práticas de Manipulação (BPM). Este estudo teve como principais objectivos: i) avaliar a perceção de consumidores e de produtores relativamente à segurança alimentar, com especial enfoque na produção local e em pequena escala de hortofrutícolas; ii) identificar os perigos presentes nas respetivas cadeias de abastecimento e determinar o nível de conformidade com as práticas de segurança alimentar, BPA e BPM; iii) e implementar um sistema de gestão de segurança alimentar adaptado a estas cadeias, com recurso a métodos inovadores e de custo reduzido. Pretende-se, como objetivo geral, promover a disponibilização de produtos hortofrutícolas mais seguros por parte dos pequenos produtores locais, reforçando a consciencialização de produtores e de consumidores para a importância das boas práticas e da sua aplicação efetiva. Os resultados revelaram que ambos os grupos atribuem importância a vários aspetos associados à segurança alimentar na venda/compra de hortofrutícolas, demonstrando algum conhecimento sobre o tema. Foram identificados diversos perigos nos produtos hortofrutícolas, solos e águas de irrigação analisados, incluindo protozoários (Toxoplasma gondii e Giardia intestinalis em vegetais), bactérias patogénicas (como Bacillus cereus em alimentos e Listeria monocytogenes em água de irrigação), pesticidas já banidos pela União Europeia (embora abaixo dos Limites Máximos de Resíduo (LMRs) estabelecidos) e retardantes de chama fosfatados (RCFs), estes últimos detetados em concentrações elevadas. Observou-se uma variação sazonal nos perigos encontrados, com diferenças entre os períodos de verão e de inverno, o que sugere uma influência relevante das condições climáticas na sua ocorrência e flutuação, especialmente em cenários de eventos climáticos extremos. Verificou-se ainda que determinadas práticas são mais facilmente assimiladas pelos produtores. No entanto, a implementação da rastreabilidade associada a práticas de segurança alimentar revelou-se particularmente desafiante, sobretudo devido à ausência de registos das operações, frequentemente relacionada com fatores de ordem pessoal e organizacional dos próprios produtores. Os estudos realizados nesta tese poderão ser reproduzidos noutros contextos geográficos, especialmente em países desenvolvidos, onde persite uma escassez de dados sobre a segurança alimentar nas cadeias de abastecimento associadas a pequenos produtores locais de hortofrutícolas. A consolidação do conhecimento nesta área exige o desenvolvimento e a contínua atualização de programas de formação específicos, dirigidos tanto a produtores como a consumidores, promovendo uma maior literacia em segurança alimentar. Paralelamente, a mitigação dos constrangimentos enfrentados pelos pequenos produtores portugueses exige um envolvimento mais ativo das associações regionais e a disponibilização de apoios estratégicos e financeiros por parte das entidades governamentais. A implementação coordenada destas medidas poderá traduzir-se em melhorias concretas na segurança dos produtos hortofrutícolas colocados no mercado por estes produtores
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