Neoclassical economics has principles based on axioms that assume the rationality of
agents, who maximize their utility by choosing the best possible basket of goods to be
acquired based on their constraints and preferences. Expected utility theory has established
itself as the dominant analytical paradigm in economics for representing choices under
uncertainty due to its effectiveness in modeling choices. However, it does not fully assimilate
psychological aspects present in individuals' decision-making processes. In the digital betting
market, in particular, the observed behavior of consumers is distinct from what
neoclassical theory advocates. Therefore, behavioral economics can aid in the analysis.
The objective of this study is to analyze the rationality of digital betting consumers in
Brazil from the perspective of behavioral economics. To investigate why individuals
systematically act against their own interests, the study reviews part of the literature that
explains the consumer decision-making process and investigates the inconsistencies between
economic theory based on unrestricted rationality and the behavior consistently observed in
economic agents. Finally, the study discusses the newly regulated Brazilian digital betting
market and its ramifications in our society.
The analysis reveals that Brazilian gamblers act under the parameters of limited
rationality, driven by psychological mechanisms such as diminishing marginal sensitivity and
the reflex effect. The study concludes that the current regulatory framework is insufficient to
protect agents and proposes the implementation of libertarian paternalism strategies, such as
the establishment of automatic deposit limits and friction mechanisms in the choice
environment, aiming to restore the individual's reflective state.A economia neoclássica possui princípios fundamentados em axiomas que
pressupõem a racionalidade dos agentes, que maximizam suas utilidades escolhendo a melhor
cesta de bens possível de ser adquirida a partir de suas restrições e preferências. A teoria da
utilidade esperada se consolidou como o paradigma analítico dominante na ciência
econômica para a representação das escolhas sob incerteza por sua eficácia em modelar
escolhas. No entanto, não assimila totalmente aspectos psicológicos presentes no processo
decisório dos indivíduos. No mercado das apostas digitais, em especial, o comportamento
observado dos consumidores é distinto do que preconiza a teoria neoclássica. Por isso, a
economia comportamental pode auxiliar a análise.
O objetivo deste trabalho é analisar a racionalidade do consumidor de apostas digitais
no Brasil sob a ótica da Economia Comportamental. Para investigar por que os indivíduos
agem sistematicamente contra seus próprios interesses, o trabalho revisa parte da literatura
que explica o processo decisório dos consumidores e investiga as inconsistências entre a
teoria econômica embasada na racionalidade irrestrita e o comportamento observado de
maneira consistente nos agentes econômicos. Por fim, o trabalho discorre sobre o recém
regulado mercado brasileiro de apostas digitais e seus desdobramentos em nossa sociedade.
A análise revela que o apostador brasileiro atua sob os parâmetros da racionalidade
limitada, sendo conduzido por mecanismos psicológicos, como a sensibilidade marginal
decrescente e o efeito reflexo. O estudo conclui que o aparato regulatório vigente é
insuficiente para a proteção dos agentes e propõe a implementação de estratégias de
paternalismo libertário, como o estabelecimento de limites automáticos de depósito e
mecanismos de fricção no ambiente de escolha, visando restaurar o estado reflexivo do
indivíduo
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