A presente coletânea de ensaios é fruto direto das atividades
desenvolvidas no curso de mestrado e doutorado em Direito do CEUB, em
Brasília. Ao longo do semestre, os encontros em sala de aula e as leituras
propostas serviram como ponto de partida para reflexões que, agora,
encontram-se reunidas neste volume. Cada artigo reflete a sensibilidade e a
capacidade crítica de seu autor ou autora, ao mesmo tempo em que evidencia
a pluralidade de caminhos que o estudo da filosofia do direito permite trilhar.
Embora a diversidade temática seja ampla – abrangendo desde a
releitura de clássicos como Aristóteles, Sófocles, Dante e Locke, até
aproximações entre direito e literatura, passando por debates sobre direitos
humanos, integridade empresarial, equidade, direito bancário e análises de
filmes, peças e músicas – todos os textos compartilham uma mesma origem:
as aulas, debates e leituras realizadas em conjunto.
Esse fio condutor confere unidade à coletânea, revelando que, ainda que
cada estudante tenha seguido sua própria trilha interpretativa, as sementes
intelectuais foram lançadas em solo comum, resultando em múltiplas colheitas
que dialogam entre si.
É relevante destacar que optamos por manter os textos tal como
enviados por seus autores e autoras. Essa escolha não é fortuita. Ela decorre,
de um lado, do respeito às preferências estilísticas individuais; de outro, da
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compreensão de que o pensamento filosófico-jurídico se manifesta também
pela forma, e não apenas pelo conteúdo.
Cada ensaio, portanto, preserva a voz singular de quem o redigiu, seja
em registros mais acadêmicos e sistemáticos, seja em formulações mais
criativas e literárias. Essa diversidade formal contribui para que a coletânea
espelhe, com fidelidade, a riqueza da experiência acadêmica compartilhada.
A leitura dos trabalhos confirma que o estudo da filosofia do direito
continua sendo espaço privilegiado para a interrogação crítica. Ao revisitarem
autores clássicos, os ensaístas aqui reunidos demonstram que problemas
antigos – como a legitimidade do poder, a equidade, o papel da lei, os dilemas
entre universalismo e relativismo, ou a relação entre direito e moral –
permanecem vivos e desafiadores.
Ao mesmo tempo, ao aplicarem essas reflexões a situações
contemporâneas, revelam a fecundidade de tais tradições para pensar
questões atuais, sejam elas as tensões da ordem democrática, as contradições
do direito empresarial, ou os desafios éticos da vida pública e privada.
Os textos também evidenciam uma marca importante da pesquisa em
nível de pós-graduação: a capacidade de transitar entre campos. Ao aproximar
direito e literatura, filosofia e economia, direito e cultura, os ensaístas
reafirmam que a compreensão do fenômeno jurídico não se esgota em
fórmulas técnicas ou em esquemas positivistas.
Pelo contrário, exige abertura a múltiplos horizontes, seja para
interpretar as complexidades da sociedade contemporânea, seja para
encontrar inspiração em narrativas artísticas, símbolos literários ou tradições
religiosas.
Nesse sentido, a coletânea pode ser lida não apenas como um registro
das atividades de um semestre, mas como testemunho de uma postura
acadêmica mais ampla: a de que a filosofia do direito é um espaço de liberdade
intelectual, no qual diferentes vozes, perspectivas e métodos podem conviver.
Essa convivência, longe de ser um obstáculo, enriquece a compreensão
coletiva, mostrando que o saber jurídico se constrói no diálogo e na
diversidade.
Ao final, os ensaios aqui reunidos oferecem ao leitor a oportunidade de
acompanhar o percurso de reflexão de um grupo heterogêneo de
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pesquisadores e pesquisadoras. São textos que revelam dedicação, rigor e,
sobretudo, inquietação filosófica. Não pretendem oferecer respostas definitivas,
mas provocar novas perguntas, gerar novas interpretações e instigar novas
leituras.
É com esse objetivo que apresento este volume, certo de que os
trabalhos aqui reunidos cumprirão papel importante tanto para o
amadurecimento acadêmico de seus autores quanto para a comunidade
acadêmica em geral. Que a leitura seja proveitosa e que este livro sirva como
convite para que outras reflexões, igualmente plurais e instigantes, venham a
ser produzidas em nosso curso
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