research article
Entre asilo e escolas: a formação do modelo brasileiro para o tratamento da idiotia
Abstract
This article aims to analyze franco-brazillian exchanges concerning the treatment of idiotic children in the early 20th century, with the objective of demonstrating the uniqueness of the Brazilian response to this issue, and to prove the existence of a "hybrid" model in Brazil. It examines idiocy from the perspective of classical French alienism as defined by Philippe Pinel, when the condition was understood as incurable, to the interpretation from the second half of the 19th century, which viewed it as a condition that could be cured through education. The article addresses the disputes between treatment models in France: the "asylum-school" model proposed by Désiré-Magloire Bourneville, and the model that replaced it in the early 20th century, involving special schools attached to regular schools—proposed by Alfred Binet and Théodore Simon. By analyzing this dispute between models, similarities and differences are identified between the two French models and what was practiced in the first psychiatric section dedicated to child treatment in Brazil, Bourneville Pavillion, located at the National Asylum Hospital in Rio de Janeiro. This investigation allows us to conclude that the medical-educational treatment of idiocy in Brazil can be considered a "hybrid model" between the "asylum-school" model and the attached schools model due to Brazil\u27s internal needs. At that time, Brazil began to value childhood as an important resource for the country\u27s modernization, following its own agenda shaped by the choices of doctors and scientists of the period, who aligned with the desires and priorities of the First Republic.O presente artigo busca analisar as trocas franco-brasileiras acerca do tratamento da criança idiota na primeiras décadas do século XX com o objetivo de demonstrar a unicidade da resposta brasileira no que tange esta questão, procurando comprovar a existência de um modelo “hibrido” no Brasil. Analisa-se o diagnóstico da idiotia desde a leitura dada pelo alienismo clássico francês de Philippe Pinel, quando a doença era entendida como irremediável, até a leitura dada a partir da segunda metade do século XIX, como uma doença passível de cura pela educação. O artigo aborda as disputas entre modelos de tratamento na França: o modelo "asilo-escola", proposto por Désiré-Magloire Bourneville, e o modelo que o substituiu no começo do século XX das escolas especiais anexas às escolas normais - proposto por Alfred Binet e Théodore Simon. Ao analisar esta disputa entre modelos, localizam-se similaridades e diferenças entre os dois modelos franceses e o que era praticado na primeira seção psiquiátrica dedicada ao tratamento infantil no Brasil, o Pavilhão Bourneville, localizado no Hospital Nacional de Alienados no Rio de Janeiro. Ao fazer esta investigação, podemos concluir que o tratamento médico-educacional do idiota no Brasil pode ser considerado um “modelo híbrido” entre o modelo “asilo-escola” e o das escolas anexas por conta das necessidades internas do Brasil, que passava a valorizar a infância como recurso importante para a modernização do país e que seguia uma agenda própria, fruto da escolha dos médicos e cientistas do período, que se alinhavam aos desejos e prioridades da Primeira República. - info:eu-repo/semantics/article
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