Letras: Português e Literaturas de Língua Portuguesa
Abstract
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)O presente trabalho apresenta uma proposta didática para o tratamento da partícula ‘se’ no
ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica. O uso dessa partícula pode ser ilustrado por
sentenças como: a mulher se lavou (‘se’ reflexivo); o vaso se quebrou (‘se’ incoativo); a
professora se sentou (‘se’ médio). Com o intuito de verificar como o tema em questão é tratado
no ensino regular, analisamos duas coleções de livros didáticos aprovadas pelo Programa
Nacional do Livro Didático (PNLD 2024), pertencentes a duas editoras distintas – a coleção
“Araribá Conecta Português”, da Editora Moderna, e a coleção “Teláris Essencial Português”,
da Editora Ática – além do material didático adotado em uma escola particular, o Colégio
Anglo. Observamos que, condizentemente ao preconizado pela Base Nacional Comum
Curricular (BNCC), os livros tratam dessa partícula apenas a partir do oitavo ano do Ensino
Fundamental II e, seguindo a tradição gramatical, dentre os três tipos de ‘se’ apresentados
anteriormente, mencionam apenas a existência do reflexivo, presente em sentenças como a
mulher se lavou, com interpretação equivalente à sentença a mulher lavou a si mesma. Porém,
esse não é o único tipo de ‘se’ existente em nossa língua, pois, na sentença o vaso se quebrou,
o sujeito o vaso não quebra a si mesmo; e em a professora se sentou, embora o sujeito a
professora seja o agente da ação de sentar, a partícula ‘se’ não pode ser interpretada como si
mesma, uma vez que a frase *a professora sentou a si mesma é agramatical. Portanto, existe
uma lacuna no tratamento dessa partícula na Educação Básica o que nos levou a propor,
baseadas nos estudos na área da Interface Sintaxe-Semântica Lexical, uma possibilidade de
tratamento didático, por meio de uma sequência de cinco exercícios, os quais objetivam tratar
a diferença existente entre essas três formas, focando o conhecimento internalizado que o aluno
já apresenta sobre sua língua materna. É importante frisar que tais exercícios levam o estudante
a refletir sobre a forma e o uso do idioma, não se limitando a tarefas básicas de identificação e
classificação dos termos da oração. Assim, seguindo a taxonomia de níveis de complexidade
dos objetivos educacionais, proposta por Bloom at al. (1956) e ainda adotada na atualidade,
propusemos atividades que trabalham saberes relacionados a domínios cognitivos
intermediários e avançados, pois motivam a análise e aplicação de conhecimento, além da
capacidade de generalização por parte do aluno
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