Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Doi
Abstract
Na Ética de Spinoza, a ordem geométrica funciona como uma estrutura metodológica abrangente destinada a conduzir os indivíduos a um estado de liberdade e beatitude. Tradicionalmente percebida como uma ferramenta pedagógica, a exposição geométrica de Spinoza apresenta uma abordagem sistemática e rigorosa para proporcionar o raciocínio lógico e a argumentação subjacentes ao seu pensamento filosófico. Ao investigar a interação variada entre geometria e intenção filosófica na Ética, examinamos como o raciocínio geométrico de Spinoza permite indivíduos alcançar a bem-aventurança e a libertação das paixões, independentemente da revelação e do controle institucional da religião organizada. A ordem geométrica que permeia as cinco partes da Ética oferece uma sequência hierárquica de desenvolvimento explicativo que reconcilia os modos a posteriori e a priori do pensamento geométrico e permite a progressiva adequação do pensamento, movendo-se do empírico ao mental, além de servir como pano de fundo fundamental para uma abordagem democratizante da auto-libertação espiritual. Examinamos o ordine geometrico na Ética como expressivo de uma “técnica demonstrativa”; como o more geometrico, o método geométrico, pode articular a “geometria como ontologia”; e exploramos como sua metafísica da substância única se torna “geometria é ontologia”. Avançamos além da afirmação de que a ordem geométrica de Spinoza é puramente euclidiana e propomos, de forma polêmica, que uma intuição imagética de sua metafísica da substância monádica pode ser encontrada na aplicação da geometria projetiva perspectival de Kepler ao estudo das cônicas.In Spinoza’s Ethics, the geometric order functions as a comprehensive methodological framework intended to lead individuals towards a state of freedom and beatitude. Traditionally perceived as a pedagogical tool, Spinoza’s geometric exposition exemplifies a systematic and rigorous approach to presenting the logical ratiocination and argumentation underlying his philosophical thought. By investigating the variegated interplay between geometry and philosophical intent in the Ethics, we examine how Spinoza’s geometric reasoning enables individuals to achieve blessedness and liberation from the passions, independently of revelation and the institutional control of organised religion.The geometrical order that spans the five parts of the Ethics offers a hierarchical sequence of development that reconciles a posteriori and a priori modes of geometric thought and allows the progressive adequation of thought from the empirical to the mental, and also serves as the foundational background for a democratising approach to spiritual self-liberation. We examine the ordine geometrico in the Ethics as expressive of “a demonstrative technique”; how the more geometrico, the geometric method, can articulate “geometry as ontology”; and delve into how his one-substance metaphysics becomes “geometry is ontology”. We move beyond the assertion that Spinoza’s geometrical order is purely Euclidean, and posit polemically that an imagistic intuition for his monadic substance metaphysics can be found in Kepler’s application of perspectival projective geometry to the study of the conics
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