Ensaios sobre o risco cambial

Abstract

Esta tese compreende três capítulos que exploram o risco cambial em regimes de câmbio flutuante, contribuindo para a literatura sobre macroeconomia e finanças. O primeiro capítulo distingue entre dois tipos de risco cambial: o risco estrutural, caracterizado por variações contínuas na taxa de câmbio, e o risco discreto, relacionado a saltos bruscos. Para identificar ambos nos dados, utilizamos um modelo paramétrico e dados de preços de opções. A abordagem adotada também permite separar o risco discreto em dois componentes: a probabilidade e a magnitude esperada do salto. Como resultado, encontramos que o risco discreto é relevante, está sempre associado à desvalorização da moeda, e responde por pelo menos um terço da volatilidade implícita do câmbio, sendo que sua composição entre probabilidade e magnitude esperada do salto varia de acordo com o momento histórico. No segundo capítulo, a estrutura teórica de Orestes (2021) é utilizada para racionalizar os fatos empíricos mapeados no primeiro capítulo. A interação entre a fricção financeira e o problema de coordenação resulta nos agentes adotando uma regra de ponto limite, segundo a qual, a depender da realização da qualidade dos fundamentos macroeconômicos, todos os investidores estrangeiros saem do mercado local simultaneamente, ou todos se mantêm no mercado local. Desta forma, com uma probabilidade positiva, a taxa de câmbio salta de forma discreta. O impacto da política monetária e de intervenções cambiais sobre o salto esperado da moeda é ambíguo. O aumento da taxa de juros ou o compromisso de compra de divisas, ao aumentar o retorno de manter o investimento, diminui a probabilidade do salto ocorrer; porém, ao atrair mais investimentos no mercado local, eleva a magnitude do salto, caso ele ocorra. No terceiro capítulo, os parâmetros do modelo do segundo capítulo são calibrados para reproduzir o risco estrutural e o risco discreto, em seus dois componentes: probabilidade e magnitude do salto, mapeados no primeiro capítulo. Como resultado, obtemos que o parâmetro que dá a intensidade da fricção financeira apresenta tendência de queda no tempo. Já em relação ao parâmetro ligado ao problema de coordenação, não é possível observar uma tendência ao longo da série histórica. Em seguida, realizamos exercícios contrafactuais. Na amostra, a política monetária tem um efeito ambíguo no salto esperado da moeda. Já as intervenções cambiais reduzem o salto esperado no período analisado

Similar works

Full text

thumbnail-image

FGV Repositório Institucional Acadêmico (Fundação Getulio Vargas)

redirect
Last time updated on 13/07/2025

Having an issue?

Is data on this page outdated, violates copyrights or anything else? Report the problem now and we will take corresponding actions after reviewing your request.