“Quem mandou matar?”

Abstract

This work seeks to reflect on the question "Quem mandou matar Marielle?" from the notion of Victimary Dispositif (Giglioli, 2016). Thus, it is important to say that, considering the disputes surrounding the death of councilwoman Marielle Franco, this question works as a gesture of denunciation that is constantly delegitimized. One of the forms of delegitimization is the circulation of paraphrastic answers such as "Quem mandou matar Sérgio Moro?" or "Quem mandou matar Bolsonaro?", that is, questions that produce a displacement in relation to the victimized political figure. There is, therefore, a repetition of the structure of the question ("Quem mandou matar?") and a variation of the victim's name (from Marielle to Sérgio Moro/Bolsonaro), which allows us to understand this statement as a serial textuality (Dias, 2019), that is, textuality formed by a common and stable trait and, at the same time, by the substitution of one or more elements of the set in such a way that a different discourse is produced through variation (Dias,  2019). In this variation, within a discursive process of argumentation (Orlandi, 2023), the element that changes already produces this "different discourse" as it promotes a dispute in relation to who would be the (true) victim, producing an effect of meaning of invalidation, both of the crime against Marielle Franco and of the gesture of denunciation itself textualized by the hashtag. Therefore, our proposal is to understand how, in this specific case, the displacement of the victim position works, thinking about its effects on political-social confrontations. Este trabajo busca reflexionar sobre la pregunta “Quem mandou matar Marielle?" desde la noción de dispositivo victimario (Giglioli 2016). Así, es importante decir que, considerando las disputas (especialmente en el mundo digital) en torno a la muerte de la concejala Marielle Franco, esta pregunta funciona como un gesto de denuncia que se deslegitima constantemente. Una de las formas de deslegitimación es la circulación de respuestas parafrásticas como "Quem mandou matar Sérgio Moro?" o "Quem mandou matar Bolsonaro?", es decir, preguntas que producen un desplazamiento con relación a la figura política victimizada. Hay, por tanto, una repetición de la estructura de la pregunta “Quem mandou matar?") y una variación del nombre de la víctima (de Marielle a   Moro/Bolsonaro), lo que permite entender esta afirmación como una Textualidad Serial (Dias, 2019), es decir, textualidad formada por un rasgo común y estable y, al mismo tiempo, por la sustitución de uno o varios elementos del conjunto de tal manera que se produce un discurso diferente por variación (Dias, 2019). En esta variación, como un proceso discursivo de argumentación (Orlandi, 2023), el elemento que cambia ya produce este "discurso diferente" ya que promueve una disputa con relación a quién sería la (verdadera) víctima, produciendo un efecto de sentido de invalidación, tanto del crimen contra Marielle Franco como del propio gesto de denuncia textualizado por la pregunta/hashtag. Por lo tanto, nuestra propuesta es comprender cómo, en este caso específico, funciona el desplazamiento de la posición de víctima, pensando en sus efectos en los enfrentamientos político-sociales. Este trabalho, de base discursivo-materialista, busca refletir a respeito da pergunta “Quem mandou matar Marielle?” a partir da noção de dispositivo vitimário, de Daniele Giglioli (2016). Assim, é importante dizer que, considerando as disputas (sobretudo no digital) em torno da morte da vereadora Marielle Franco, esta pergunta funciona como um gesto de denúncia que é constantemente deslegitimado. Uma das formas de deslegitimação é a circulação de respostas parafrásticas com outras perguntas, tais como “Quem mandou matar Sérgio Moro?” ou “Quem mandou matar Bolsonaro?”, ou seja, perguntas que produzem um deslocamento em relação à figura política vitimada. Há, portanto, uma repetição da estrutura da pergunta (“Quem mandou matar?”) e uma variação do nome da vítima (de Marielle para Sérgio Moro/Bolsonaro), o que nos permite compreender este enunciado como uma textualidade seriada (Dias, 2019), isto é, textualidade formada por um traço comum e estável e, ao mesmo tempo, pela substituição de um ou mais elementos do conjunto de tal modo que um discurso diferente é produzido através da variação (Dias, 2019). Nesta variação, no interior de um processo discursivo de argumentação (Orlandi, 2023), o elemento que se altera já produz este “discurso diferente” pois promove uma disputa em relação a quem seria a (verdadeira) vítima, produzindo um efeito de sentido de invalidação, tanto do crime contra Marielle Franco quanto do próprio gesto de denúncia textualizado pela pergunta/hashtag. Portanto, nossa proposta é entender como funciona, neste caso específico, o deslocamento da posição de vítima, pensando em seus efeitos nos confrontos político-sociais.&nbsp

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Last time updated on 28/06/2025

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