Trabalho Final do Curso de Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, 2024Introdução: Atualmente, está recomendada a utilização de antibioterapia empírica de largo espetro na peritonite secundária adquirida na comunidade de maior gravidade, porém estudos recentes apontam que uma antibioterapia empírica apropriada não está associada a um benefício claro em termos de sobrevivência pelo impacto do controlo de foco neste contexto. Assim, dada a importância da utilização racional dos antibióticos pelo problema crescente das resistências microbianas, este trabalho pretende avaliar a eficácia e segurança da utilização de antibioterapia de menor espetro, como a amoxicilina/clavulanato, nas peritonites secundárias de maior gravidade e quantificar as suas taxas de falência microbiológica. Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo com doentes submetidos a cirurgia gastrointestinal urgente, no contexto de peritonite secundária adquirida na comunidade e internados no Serviço de Medicina Intensiva (SMI) do Hospital de Santa Maria, entre janeiro de 2013 e abril de 2018. Colheram-se dados demográficos, clínicos, microbiológicos e de terapêutica. O efeito da administração de amoxicilina/clavulanato versus outro antibiótico foi avaliado quanto ao tempo de internamento e mortalidade hospitalar e no SMI, utilizando regressão linear e logística uni e multivariada. Resultados: Dos 216 doentes críticos incluídos, 51 realizaram antibioterapia empírica com amoxicilina/clavulanato. 94 doentes apresentaram isolamento bacteriano, sendo que 64.9% eram sensíveis a amoxicilina/clavulanato. A mortalidade no SMI nos doentes que realizaram amoxicilina/clavulanato e que realizaram outra antibioterapia empírica não apresentou uma diferença estatisticamente significativa (14.0% vs 24.0%, p = 0.11), tal como a mortalidade hospitalar (25.0% vs 40.0%, p = 0.07). Nos doentes que fizeram amoxicilina/clavulanato, o isolamento microbiológico não ser sensível a esta associação, não influenciou o tempo de internamento ou a mortalidade hospitalar e no SMI. Conclusões: A utilização de amoxicilina/clavulanato não teve um impacto negativo na mortalidade no SMI, mesmo quando se provou a posteriori como não tendo atividade in vitro contra os microrganismos isolados. Contudo, a taxa de falência microbiológica objetivada não permite utilizar esta antibioterapia com segurança na peritonite secundária de maior gravidade.Background: Currently, the use of empiric antimicrobial regimens with broad-spectrum activity is recommended in high-risk community-acquired secondary peritonitis. However, recent studies suggest that the appropriateness of empiric antimicrobial therapy is not clearly associated with survival benefit, due to the importance of source control in this context. Consequently, given the imperative of judicious antibiotic utilization due to the escalating problem of microbial resistance, this study aims to assess the efficacy and safety of using narrower spectrum antibiotics, such as amoxicillin/clavulanate, in severe secondary peritonitis and quantify the rates of microbiological failure associated with this approach. Methods: A retrospective study was conducted with patients undergoing urgent gastrointestinal surgery, in the context of community-acquired secondary peritonitis and admited to the ICU of Hospital de Santa Maria from January 2013 to April 2018. Demographic, clinical, microbiological, and therapeutic data were collected. The effect of amoxicillin/clavulanate administration versus other antibiotic was compared regarding the length of hospital stay and hospital and ICU mortality, using uni and multivariate linear and logistic regression analyses. Results: Among the 216 critically ill patients included in this study, 51 received amoxicillin/clavulanate. Bacterial isolation occurred in 94 patients, with 64.9% exhibiting sensitivity to amoxicillin/clavulanate. The ICU mortality rate among patients who underwent treatment with amoxicillin/clavulanate and those who received other empirical antibiotic therapy did not show a statistically significant difference (14.0% vs 24.0%, p = 0.11), nor did the hospital mortality rate (25.0% vs 40.0%, p = 0.07). Furthermore, microbiological isolation demonstrating resistance to amoxicillin/clavulanate did not significantly influence length of hospital stay or hospital and ICU mortality rates among patients who had received this therapy. Conclusions: The administration of amoxicillin/clavulanate did not adversely impact ICU mortality rate, even in cases where subsequent microbiological analysis revealed limited in vitro activity against the isolated microorganisms. However, the observed microbiological failure rate does not allow the use of this antibiotic therapy with safety in severe secondary peritonitis
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