A ideia de que a vida é um teatro foi celebrizada nos palcos shakespearianos (por exemplo, na máxima “All the world is a stage”, em As you like it, 2.7.139-166). Estudos têm demonstrado, porém, que essa comparação do mundo com um teatro, modernamente denominada de “teatro do mundo” (theatrum mundi), é um topos literário e filosófico registrado em textos antigos desde Platão (KOKOLAKIS 1960; CURTIUS 1967) e muito presente na literatura romana (CARDOSO 2010; 2020; 2022). Tendo observado a presença de tal topos na tragédia Julius Caesar, de Shakespeare, o foco desta comunicação foi investigar se tais registros já ocorrem em textos romanos tomados como modelo pelo autor inglês. Nomeadamente, analisamos A Vida de Júlio César, do biografista Gaio Suetônio Tranquilo (75-160 d.C.). Com base em nossa análise, constatamos que as referências a teatro e representações de espetáculos presentes na obra têm como efeito gerar um ambiente de teatralidade. Um dos impactos do topos nessa biografia é enfatizar um contraste entre aparência e verdade, bem como ressaltar a simulação como estratégia para obtenção de poder
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