Neste artigo, analisa-se a maneira como o povo Xukuru do Ororubá estabeleceu relações híbridas religiosas na formação da Religião do Ritual Sagrado no território indígena. Os índios, membros do Terreiro da Boa Vista, trabalham permanentemente com o conceito do Bem Viver dos povos andinos, desenvolvendo práticas socioambientais e religiosas plurais que contribuíram em longo prazo para o processo de reelaboração religiosa dos espaços sagrados no território, como também para o ativismo da consciência socioambiental. Os dados apresentados foram coletados durante a pesquisa de campo realizada para tese de doutorado sobre a Religião Indígena do Ritual Sagrado no território indígena Xukuru do Ororubá. Ela ocorreu durante os anos de 2017 e 2018 no Terreiro da Boa Vista, localizado na Aldeia Couro Dantas no munícipio de Pesqueira (PE). A metodologia foi elaborada a partir do levantamento dos dados por meio das observações de campo dos Rituais Sagrados e entrevistas com índios participantes do Terreiro, além de observações das ações de práticas socioambientais e religiosas desenvolvidas, como o Urubá Terra – encontro de agricultura e partilha de sementes tradicionais – e o Encontro dos Sábios: Lonji Abaré (poder de observação). Nestes encontros, observou-se que os indígenas defendem que a agricultura possui uma dimensão sagrada. Como resultado da pesquisa no território indígena, pretende-se demonstrar como os índios participantes do Ritual Sagrado, a partir do processo de hibridação cultural e religioso, desenvolveram práticas religiosas inclusivas e pluralistas que contribuem para a superação da crise ambiental, a qual reverbera há mais de um século na região.
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