Este artigo se debruça sobre o discurso da tradição e a forma como este é empregado na busca por legitimidade e prestígio dentro do campo religioso afro-brasileiro nas cidades de Recife e João Pessoa. Ultimamente as religiões afro-brasileiras têm passado por mudanças importantes relacionadas à emergência de um novo contexto no campo das relações raciais e, também, no mercado religioso brasileiro. Com relação ao primeiro aspecto, dois fenômenos se destacam: (1) a postura presente em vários segmentos dos movimentos negros que tendem a encarar as religiões afro-brasileiras como “espaços de resistência cultural” e componente indispensável da construção/afirmação da identidade negra, e (2) a atuação do Estado que passou a desenvolver políticas públicas voltadas para estas religiões. Outra fonte de legitimidade advém do mercado religioso e suas tendências atuais, nas quais as religiões que valorizam o simbólico, o mágico e o corpo, tendem a atrair um número significativo de adeptos e simpatizantes. No centro das negociações e reposicionamentos envolvidos, encontra-se a referência e a reivindicação de continuidade com “a tradição africana original”. Esta tradição, sempre em processo de invenção e reinvenção, constitui a uma das fontes de legitimação a partir da qual as denominações religiosas afro-brasileiras, especialmente o candomblé, têm buscado assegurar o seu reconhecimento, não apenas dentro do campo religioso afro-brasileiro, mas também junto à sociedade englobante
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