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Modos de conhecer e intervir

By Rosemeiry Capriata de Souza Azevedo

Abstract

Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde. Programa de Pós-graduação em EnfermagemO presente trabalho busca analisar os modos pelos quais o corpo é constituído como objeto de conhecimento e intervenção pelo enfermeiro (a) no cuidado hospitalar. Para desenvolvê-lo, apóio-me na teorização de Michel Foucault e no trabalho de autores que têm problematizado o corpo, em particular o corpo do cuidado a partir da relação poder/saber. Adotei a perspectiva genealógica foucaultiana como inspiração e atitude do pesquisador frente aos dados a serem analisados. O método genealógico não forneceu um modelo rígido de etapas e procedimentos, mas iluminou o caminho. O objeto de estudo foi sendo compreendido à medida que fui adentrando ao mundo do hospital para realizar as observações de campo e análise de documentos como prontuários dos clientes e o livro de registro de passagem de plantão dos enfermeiros, no período de 2000 a 2003. A análise dos dados empíricos possibilitou caracterizar o ritual de internação, o exame e o cuidado desenvolvido no hospital, bem como o seu produto, ou seja, que corpo está sendo produzido pelo cuidado de enfermagem. O ritual de internação é concretamente traçado pelas lógicas da instituição, dos profissionais médicos e saber construído sobre o sujeito; o exame dá visibilidade ao poder médico, esquadrinha o corpo e objetiva o doente sujeitando-o às verdades de um campo de saber. O cuidado de enfermagem se expressa em exercícios de poder, rituais, dispositivos, simbolizações e jogos de interesses que circulam, tramam e o sustentam no hospital. Este cuidado constrói domínios que permitem sua execução de forma parcelar, é administrado, põe em jogo os diversos interesses profissionais, visões, posições e poderes, é rotinizado e se apóia no modelo biomédico. Por conseguinte o corpo produzido é fragmentado, compartimentalizado, com múltiplos domínios, disciplinado, vigiado; enfim um corpo tomado pela doença. O hospital também se revela como um corpo "construído", ao mesmo tempo em que "constrói" corpos. Finalmente, sobre a constituição do "saber" sobre o corpo pela enfermagem, constato que a construção deste saber se dá sobre um corpo específico, o "corpo doente", gestado no interior da prática médica e, portanto, concebido como local de manifestação da doença; essa simbolização de corpo se reflete ainda hoje na forma de pensar e de organizar o cuidado no hospital - produção de cuidados apoiada na racionalidade técnica das ações e procedimentos

Topics: Enfermagem, Enfermagem, Filosofia, Cuidados com os doentes, Hospitais, Enfermagem
Publisher: Florianópolis, SC
Year: 2005
OAI identifier: oai:agregador.ibict.br.RI_UFSC:oai:repositorio.ufsc.br:123456789/101737
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