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Células Natural Killer tímicas como mediadoras de competição celular
Dissertação de Mestrado em Investigação Biomédica apresentada à Faculdade de MedicinaAs células Natural Killer (NK) são linfócitos granulares do sistema imune inato cuja função é mediada por recetores expressos na sua superfície celular. A interação entre recetores inibitórios e o complexo principal de histocompatibilidade I (MHC-I), expresso em células saudáveis, impede o desencadear de respostas citotóxicas contra as mesmas. Contudo, em células infetadas ou que sofram transformações, a expressão de MHC-I diminui, despoletando citotoxicidade mediada por células NK. Convencionalmente, a diferenciação destas células ocorre na medula óssea e termina no baço. Não obstante, as células NK estão presentes em diferentes órgãos onde exibem um fenótipo particular. Nomeadamente, células NK tímicas expressam o recetor da interleucina 7 (IL-7) e GATA-3 e desenvolvem-se no timo, contrariamente a células NK convencionais. Apesar de ambas coexistirem no timo, a sua função ainda não foi determinada. Este projeto propõe que as células NK poderão promover a diferenciação de linfócitos T. Especificamente, as células NK poderão estar envolvidas em competição celular, um processo que consiste na eliminação de timócitos menos aptos, e persistência dos mais competentes. A competição celular foi descrita pelo nosso grupo como sendo um processo supressor de tumor, capaz de impedir a acumulação de timócitos menos aptos (com maior tempo de persistência no timo), prevenindo o desenvolvimento de leucemia. Dados preliminares revelam que timócitos “velhos” expressam níveis inferiores de MHC-I relativamente a células competentes. Assim sendo, as células NK poderão reconhecer estas diferenças de MHC-I, eliminando timócitos com menor expressão deste complexo. Os nossos resultados sugerem que a diferenciação das células NK tímicas se assemelha à estabelecida para células NK convencionais. No entanto, as células NK tímicas não apresentam os estadios mais citotóxicos e, relativamente a células convencionais, uma menor percentagem expressa recetores ativadores. Recorrendo a experiências de transplantação de timo, determinámos que as células NK são renovadas em menos de 7 dias e que células recirculantes e residentes exibem cinéticas diferentes. Ainda, estabelecemos um ensaio ex vivo onde confirmámos que células NK do baço e do timo são capazes de eliminar timócitos que não expressem MHC-I. Em suma, os nossos dados revelam que no timo, células NK convencionais recirculantes e células que se desenvolvem especificamente no mesmo coexistem e que estes são, de facto, capazes de desencadear uma resposta citotóxica contra timócitos com ausência de expressão de MHC-I.Natural killer (NK) cells are granular lymphocytes of the innate immune system whose responses are controlled by cell-surface receptors. Inhibitory receptors bind to class I major histocompatibility complex (MHC-I) on healthy cells and inhibit NK cytotoxicity. When cells are infected or transformed, MHC-I is downregulated, which elicits NK cytotoxicity towards the unhealthy cells. Conventional NK cell differentiation occurs in the bone marrow and terminates in the spleen. Nevertheless, some NK cells are found in other organs and exhibit unique tissue-specific characteristics. One example are thymic NK cells, which develop in the thymus and can be exported. These cells express interleukin 7 receptor (IL-7r) and GATA-3, opposite to their conventional counterparts. Both conventional and thymic derived NK cells can be found in the thymus. However, their function is still to be explored. Here, we hypothesize that NK cells are involved in promoting T lymphocyte differentiation. Specifically, we propose that NK cells play a role in cell competition, a process whereby unfit thymocytes are outcompeted by their fit counterparts. Cell competition in the thymus has been described by our group as a tumor suppressor mechanism that inhibits the accumulation of the unfit thymocytes, thereby preventing leukemia. Preliminary data showed that “old”, unfit thymocytes express lower levels of MHC-I than “young”, fit cells. This supports that differential levels of MHC-I might be measured by NK cells, that eliminate the unfit thymocytes with low MHC-I. We show that thymic NK cells express markers consistent with a differentiation path resembling the one established for conventional NK cells. However, the most cytotoxic stages were absent from thymic NK cells. In addition, the percentage of thymic NK cells expressing activating receptors was lower than for conventional NKs. Thymus transplantation experiments revealed that NK cells have a fast turnover, that was under 7 days for both thymic and conventional NK cells. Nevertheless, circulating and thymus derived NK cells differed in turnover. Finally, we established an ex vivo cytotoxic assay that confirmed that both spleen and thymus NK cells can kill MHC-I deficient thymocytes. These data show that NK cells in the thymus are comprised of two main subsets: one of conventional circulating cells, and the other that originates in the thymus. Furthermore, we characterized NK cells immunophenotypically taking into account differentiation and functional markers. Finally, we could show ex vivo that NK cells from the thymus can indeed mount a cytotoxic response towards thymocytes that lacked MHC-I.Outro - Projecto FCT com a referência: PTDC/BIA-BID/30925/201
O papel dos micronutrientes na resposta à lesão do DNA - O caso do zinco na leucemia mielóide aguda
Dissertação de Mestrado em Investigação Biomédica apresentada à Faculdade de MedicinaA integridade genómica é assegurada por várias moléculas que trabalham conjuntamente para erradicar ou minimizar a lesão do DNA. Estas constituem a resposta à lesão do DNA (DDR). Vários micronutrientes atuam em reações essenciais da DDR, sendo a adequada biodisponibilidade destes fatores dietéticos crucial para o seu ótimo funcionamento. O zinco (Zn) é particularmente relevante por estar envolvido em várias funções fundamentais à célula desde a resposta ao stress oxidativo, apoptose, regulação do ciclo celular, do metabolismo, síntese e reparação do DNA. Notavelmente, vários mecanismos de reparação do DNA envolvem o Zn. Apesar do papel do Zn na prevenção da doença ser bem definido, as suas funções na carcinogénese são menos conhecidas. No contexto do sistema hematopoiético, uma adequada DDR é essencial à manutenção das células estaminais hematopoiéticas, evitando a acumulação de lesões nestes precursores. Alterações da DDR têm sido reportadas na leucemia mielóide aguda (LMA) e relacionadas com a origem da doença. Outra observação comum nos doentes com leucemia é o decréscimo sérico de Zn. Apesar da frequência deste achado, o significado biológico do Zn na LMA e a relação com a DDR nas células leucémicas não são bem compreendidos. Este trabalho pretendeu estudar o papel do Zn na modulação da DDR na LMA e explorar o seu potencial como coadjuvante da terapia anticancerígena. Para tal, um modelo celular de LMA (HEL) foi incubado em condições normais de cultura (standard) com o teor basal de zinco presente no soro fetal bovino, bem como em depleção de Zn e em suplementação com ZnSO4 por 2, 7 e 15 dias. As respostas basais e induzidas por exposição de 30 minutos a 10µM de H2O2 e a 60 segundos de radiação ultravioleta (Ee=2.9841 W.cm-2) foram avaliadas a cada momento temporal. Para compreender se os papéis do Zn variam no contexto fisiológico e patológico, uma linha celular de linfócitos humanos normais (IMC) foi submetida às mesmas experiências. A lesão cromossómica, morte celular e níveis de divisão celular foram avaliados pelo teste do micronúcleo com bloqueio da citocinese. A monitorização da yH2AX, biomarcador da lesão e da cinética de reparação, foi feita a cada momento temporal antes da exposição genotóxica, após indução da lesão e 1 hora e 24 horas após exposição. A expressão de genes da DDR (PARP1, XRCC1, MSH2, MSH6, MLH1, XPA, ERCC1, RAD23B, RAD51, PRKDC, XRCC6, PALB2, FANCD2 e MGMT) foi avaliada por qRT-PCR. Para compreender o papel do Zn na modulação de inibidores da DDR e de compostos quimioterapêuticos utilizados na LMA, as células HEL foram incubadas com olaparib e citarabina em monoterapia e combinação com Zn. Os resultados foram analisados estatisticamente considerando um nível de significância de 95% (p <0,05). Comparativamente a standard, a suplementação com Zn diminuiu a lesão basal e a morte celular nos linfócitos normais e aumentou ligeiramente a proliferação. Pelo contrário, nas células de LMA verificou-se aumento da lesão basal ao longo do tempo de suplementação, ligeiro aumento da morte celular e redução dos níveis de divisão celular. Após estímulo genotóxico, os linfócitos suplementados apresentaram uma resposta mais eficiente à lesão do que os da condição standard, manifestado pelo decréscimo da lesão cromossómica, particularmente ao 7º e 15º dia de suplementação, aumento da morte celular e diminuição dos níveis de divisão celular. Por oposição, os linfócitos em depleção de Zn revelaram uma resposta menos eficiente e maior lesão cromossómica. Nas células de LMA suplementadas houve aumento da lesão cromossómica comparativamente às da condição standard, enquanto que os menores níveis de lesão se verificaram na ausência de Zn. A monitorização da yH2AX pareceu corroborar que nos linfócitos suplementados poderá haver reparação, que não é atingida na ausência de Zn, e que na linha de LMA a lesão persiste após exposição genotóxica. A análise da expressão génica não revelou diferenças significativas entre condições, com exceção da diminuição significativa (1.02 vezes inferior, p=0.0315) da expressão basal de XRCC6 nas células HEL suplementadas. Os resultados da monoterapia e da terapia combinada revelaram redução da proliferação e viabilidade celular de forma dependente da dose e do tempo, tendo a terapia combinada apresentado efeitos mais eficazes. Estes foram claramente demonstrados pelo efeito sinérgico do Zn com o olaparib e citarabina na maioria das doses testadas e pelo marcado decréscimo do IC50 do olaparib e da citarabina em combinação com o Zn comparativamente à monoterapia (doses 2,8 vezes e 5,4 vezes inferiores, respetivamente). Em suma, os dados corroboram a importância do Zn na manutenção de respostas adequadas à lesão do DNA no contexto preventivo da doença e a sua possível aplicabilidade como coadjuvante potenciador de terapias genotóxicas ou das que têm como alvo a DDR, revelando um duplo papel do zinco no contexto preventivo e terapêutico do cancro, em particular da LMA.Genome integrity is assured by a plethora of molecules that work together to eradicate or minimize repair DNA damage. These constitute the DNA damage response (DDR). Many micronutrients are crucial for key DDR reactions, meaning that adequate bioavailability of these dietary factors is critical for optimal DDR functioning. Zinc (Zn) is particularly important for playing pivotal roles in the cell, from oxidative stress responses, to apoptosis, cell cycle regulation, metabolism, DNA synthesis and repair. Notably, many DNA repair mechanisms involve Zn. Despite the role of Zn in disease prevention is well defined, its functions in carcinogenesis are far less explored. In the context of the hematopoietic system, an appropriate DDR is essential for the maintenance of the hematopoietic stem cells’ pool homeostasis, by avoiding the accumulation of DNA damage in these precursors. DDR alterations have been found in acute myeloid leukemia (AML) and related to the leukemogenesis process. Moreover, a common observation in leukemia patients is the decrease in serological Zn. Despite the frequency of this finding, the biological significance of Zn for the leukemogenesis process and relation with the DDR in AML cells is not understood. This work aimed to study the role of Zn in the modulation of the DDR in AML and explore its potential as co-adjuvant in leukemia therapy. To do so, cellular model of AML (HEL) was incubated in standard (Std) culture conditions containing the basal Zn levels presented in fetal bovine serum, in Zn depletion and in supplementation with ZnSO4 for 2, 7 and 15 days. Basal and induced cellular responses to exposure to 10µM of H2O2 for 30 minutes and 60 seconds of UV radiation (Ee=2.9841 W.cm-2) were evaluated at each time point. To understand whether Zn’s roles differ in health and disease, a cell line of normal human lymphocytes (IMC) was submitted to the same experiments. Chromosomal damage, cell death and cell division rates were assessed by the cytokinesis-block micronucleus assay. The monitorization of yH2AX, biomarker of DNA damage and repair kinetics, was performed at all evaluation times before genotoxic exposure, after initial damage induction, and 1 hour and 24 hours following exposure. The expression of DDR genes (PARP1, XRCC1, MSH2, MSH6, MLH1, XPA, ERCC1, RAD23B, RAD51, PRKDC, XRCC6, PALB2, FANCD2 and MGMT) was evaluated by two-step qRT-PCR. To acknowledge the role of Zn in the modulation of DDR inhibitors and chemotherapeutic compounds used in AML, HEL cells were submitted to treatment with olaparib and cytarabine in monotherapy and in combination with Zn. Results were statistically analyzed considering a confidence level of 95% (p<0.05). Comparatively to Std Zn conditions, supplementation reduced basal chromosomal damage and cell death in normal lymphocytes and led to slight increases in proliferation. Oppositely, in AML cells it was observed an increase of basal chromosomal damage through time of supplementation, a slight increase in basal cell death and a decrease in cell division rates. Upon genotoxic exposure, Zn-supplemented lymphocytes demonstrated a more efficient response than those from Std conditions, manifested by the decrease in chromosomal damage, particularly at the 7th and 15th days of supplementation, increase in cell death and decrease of cell division rates. Contrastingly, Zn-depleted lymphocytes shown a less efficient damage response, presenting increased chromosomal damage levels. Supplemented AML cells shown an increase in DNA damage comparatively to those from Std conditions, while the lowest chromosomal damage scores were found in Zn-depletion. The monitorization of yH2AX seemed to corroborate that in supplemented lymphocytes there may be a repair response that is not achieved in Zn absence, and that in the AML cell line damage persists following initial genotoxic exposure. Gene expression analyses did not reveal significant differences between conditions, except for a significant decrease (1.0 fold, p=0.0315) in XRCC6 basal expression in HEL supplemented cells. The results from monotherapy as well as combination therapy revealed a reduction in cellular proliferation and viability in a dose and time dependent manner, with combination therapy displaying more efficient effects. This was clearly demonstrated by the synergistical effect of Zn with olaparib and cytarabine in most of the tested concentrations and the marked decrease in olaparib and cytarabine IC50 when in combination with Zn comparatively to monotherapy (2.8-fold and 5.4-fold decreases, respectively). In sum, the results corroborate the importance of Zn in the maintenance of adequate responses to DNA damage in the context of disease prevention and a possible application of Zn as a co-adjuvant potentiator of the effects of genotoxic or DDR-targeting therapies, revealing a dual role of Zn both in cancer prevention and therapy, particularly in AML
Clinical outcomes in patients who underwent laparostomy after urgent or emergency surgery in the intensive care unit
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de MedicinaIntroduction: Laparostomy is an exceptional surgical technique, employed in critical cases of severe abdominal pathology, indicated for septic, haemostatic or decompressive control, particularly in the context of haemodynamic instability. Despite technical and therapeutic advances, it remains associated with high morbidity and mortality, reflecting the clinical severity of the patients in whom it is indicated. Methods: A retrospective study was conducted, including all patients who underwent laparostomy during their admission to the Intensive Care Unit of the Coimbra Local Health Unit between January 2020 and March 2024. Patients with a length of stay shorter than 72 hours were excluded. Clinical, surgical, laboratory and prognostic variables were collected, and the main clinical outcomes were assessed: ICU mortality, in-hospital mortality, length of stay and associated complications. Statistical analysis included parametric and non-parametric tests, correlation analyses and measures of effect. Results: A total of 47 patients were included, mostly male, with a mean age of 64 years and a high prevalence of significant comorbidities. Non-traumatic abdominal pathologies were predominant, particularly intestinal perforation and mesenteric ischaemia. ICU mortality was 25.5%, and in-hospital mortality reached 31.9%. Abdominal compartment syndrome was significantly associated with increased mortality, whereas traumatic haemoperitoneum was linked to a more favorable prognosis. Age ≥80 years was correlated with poorer outcomes in the ICU. Complications were frequent, particularly respiratory infections and anastomotic dehiscence. A trend towards higher CRP values was observed in non-survivors. CRP variation correlated with longer length of stay, while lactate variation correlated with age. APACHE II was the score that showed the best agreement with observed mortality. Discussion/Conclusion: Abdominal compartment syndrome was the main factor associated with mortality in this cohort, with a significant impact on clinical outcomes. Prolonged shock duration and elevated CRP at 72 hours were associated with greater severity and longer ICU stay. Observed mortality was lower than that predicted by severity scores. These findings underscore the importance of an early, multidisciplinary approach tailored to clinical evolution, as well as dynamic monitoring of biomarkers, in the management of critically ill patients undergoing emergency laparostomy.Introdução: A laparostomia é uma técnica cirúrgica de exceção, utilizada em situações críticas de patologia abdominal grave, com indicação para controlo séptico, hemostático ou descompressivo, especialmente em contexto de instabilidade hemodinâmica. Apesar dos avanços técnicos e terapêuticos, permanece associada a elevada morbilidade e mortalidade, refletindo a gravidade clínica dos doentes em que é utilizada. Métodos: Realizou-se um estudo retrospetivo, incluindo todos os doentes submetidos a laparostomia durante o internamento no Serviço de Medicina Intensiva da Unidade Local de Saúde de Coimbra, entre janeiro de 2020 e março de 2024. Foram excluídos os doentes com internamento inferior a 72 horas. Recolheram-se variáveis clínicas, cirúrgicas, laboratoriais e prognósticas, sendo avaliados os principais desfechos clínicos: mortalidade no SMI, mortalidade intra-hospitalar, tempo de internamento e complicações associadas. A análise estatística incluiu testes paramétricos, não paramétricos, correlações e medidas de efeito. Resultados: Foram incluídos 47 doentes, maioritariamente do sexo masculino, com média de idades de 64 anos e prevalência de comorbilidades significativas. As patologias abdominais não traumáticas foram predominantes, com destaque para a perfuração intestinal e isquémia mesentérica. A mortalidade no SMI foi de 25,5% e a mortalidade intra-hospitalar de 31,9%. A síndrome do compartimento abdominal associou-se a mortalidade significativamente elevada, enquanto o hemoperitoneu traumático se relacionou com melhor prognóstico. A idade ≥80 anos associou-se com piores desfechos no SMI. As complicações foram frequentes, destacando-se infeções respiratórias e deiscências anastomóticas. Verificou-se uma tendência para valores mais elevados de PCR nos doentes que faleceram. A variação da PCR correlacionou-se com maior tempo de internamento, e a do lactato com a idade. O APACHE II foi o score que apresentou melhor concordância com a mortalidade observada. Discussão/Conclusão: A Síndrome Compartimental Abdominal foi o principal fator associado à mortalidade nesta coorte, com impacto significativo nos desfechos clínicos. Observou-se que a duração do estado de choque e a elevação da PCR às 72h se relacionaram com maior gravidade e tempo de internamento. A mortalidade observada foi inferior à prevista pelos scores de gravidade. Estes resultados reforçam a importância de uma abordagem precoce, multidisciplinar e ajustada à evolução clínica, bem como da monitorização dinâmica de biomarcadores, na gestão dos doentes críticos submetidos a laparostomia de urgência
Competencies addressed in the Medical degree: perceptions of junior doctors
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de MedicinaIntroduction: Medical Education is responsible for adapting to society´s needs while meeting patient and population expectations. As Medical Schools must align teaching with learning outcomes, evaluating whether acquired competencies match those perceived as necessary for quality medical practice is essential.Objective: To assess the perceptions of junior doctors who completed their medical degree at the Faculty of Medicine, University of Coimbra (FMUC) between 2020/21 and 2022/23, currently working as Foundation Year or Specialty Trainee Doctors, regarding competencies acquired during training. Secondarily, to evaluate differences across medical career stages.Methods: A cross-sectional observational study was conducted with junior doctors using an online questionnaire covering five domains: general competencies, practical skills, emergency department performance, communication skills, and professional values. Each competency was rated on a 5-point Likert scale, followed by descriptive and inferential statistical analysis.Results: The sample comprised 381 participants (193 Foundation Year doctors and 188 Specialty Trainees). The highest-rated competencies included medical ethics, holistic patient approach, historytaking and clinical communication. Areas of perceived deficiency involved technical procedures, therapeutic management, pharmacological prescribing, patient social navigation, palliative care, leadership skills and Portuguese National Health Service organizational knowledge. Differences were observed between career stages in problem-solving, prescribing, team leadership and pressure management.Discussion: While most competencies regarding medical school preparation were positively perceived, gaps were identified in practical training and management of complex clinical situations, consistent with previous studies. Limitations include self-reporting, recall and selection biases.Conclusion: This study revealed the areas where FMUC's curriculum most effectively prepares students, particularly in ethical competencies, interprofessional collaboration and clinical communication. However, it uncovered critical gaps in technical procedures, management of complex situations and technical-legal aspects. These results reinforce the need to restructure training and strengthen practical instruction and non-technical competencies, to better prepare future doctors for clinical challenges.Introdução: A Educação Médica tem a responsabilidade de se adaptar às necessidades da sociedade, garantindo uma resposta apropriada às expectativas dos doentes e das populações. Uma vez que a Escola Médica deve orientar o ensino para os resultados de aprendizagem, é essencial avaliar se as competências adquiridas pelos seus alunos correspondem às percecionadas como necessárias a uma atividade médica de qualidade.Objetivo: Avaliar as perceções de Médicos Internos que concluíram o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) entre os anos letivos 2020/21 a 2022/23 e que atualmente desempenham funções como Internos de Formação Geral ou Específica, relativamente às competências adquiridas durante o curso. Secundariamente, pretende-se avaliar diferenças nas váriasfases da carreira médica.Métodos: Realizou-se um estudo observacional transversal numa amostra de Médicos Internos, com aplicação de um questionário online constituído por cinco subtemas: competências gerais, capacidades práticas, prestação no serviço de urgência, capacidades de comunicação e valores e atitudes. Cada competência foi classificada de acordo com a escala de Likert de 5 pontos. Foi realizada estatística descritiva e inferencial.Resultados: Obteve-se uma amostra de 381 participantes, dos quais 193 Médicos Internos de Formação Geral e 188 Médicos Internos de Formação Específica. As competências com os melhores resultados incluíram a ética médica, abordagem holística do doente, anamnese e comunicação clínica. As competências percecionadas negativamente englobaram os procedimentos técnicos, gestão terapêutica e prescrição farmacológica, orientação social dos doentes, cuidados paliativos, capacidade de liderança e conhecimento sobre a organização do Serviço Nacional de Saúde. Foram observadas diferenças entre as várias fases da carreira médica, nomeadamente na resolução de problemas e criatividade, prescrição de medicamentos, liderança de equipas e gestão de situações de pressão.Discussão: A maioria das competências foram percecionadas positivamente quanto ao papel da Escola Médica na sua assimilação e preparação. Não obstante, foram identificadas lacunas na formação prática, assim como dificuldades na gestão de situações clínicas complexas e na liderança de equipas, corroborando estudos anteriores na área. As limitações do estudo incluem vieses de autoperceção, memória e seleção.Conclusão: Este estudo identificou as áreas em que o currículo da FMUC melhor prepara os alunos, nomeadamente nas competências éticas, colaboração interprofissional e comunicação clínica. Contudo, revelou lacunas críticas em procedimentos técnicos, gestão de situações complexas e aspetos técnico-legais. Estes resultados reforçam a necessidade de reestruturar a formação, reforçando o treino prático e competências não-técnicas, para melhor preparar os futuros médicos face aos desafios clínicos atuais
Relatórios de Estágio e Monografia intitulada "Nanocompósitos como suportes para a regeneração óssea"
Relatório de Estágio do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas apresentado à Faculdade de FarmáciaBone is a dynamic and complex tissue that performs vital functions in our bodies, such as simple locomotion. Following a fracture, bone has the natural ability to self-heal. However, in large defects and bone diseases with an imbalance in bone remodeling, such as osteoporosis, this capacity is not sufficient. Major interventions are therefore required, such as implants or bone grafts, which are usually accompanied by chronic pain, patient morbidity, risk of infection and disease transmission. In fact, bone fractures pose a real risk to public health and are translated into both an economic and a social burden. Furthermore, the incidence of bone disorders has increased worldwide and Portugal is following this trend, prompting the need for new alternatives. It is estimated that 17% of portuguese women and 2.6% of men are affected by osteoporosis, the leading cause of fragility fractures. Therefore, scaffolds, which are biocompatible, biodegradable and with mechanical and biological properties compatible with natural bone emerge as ideal alternatives. In addition, the combination of a polymeric matrix and nano-fillers results in a composite with superior properties and which shows promising results in the bone defect healing, under osteoporotic conditions. Thus, this review focuses on the design, manufacture and in vitro and in vivo performance of polymer nanocomposites in order to fulfill their potential in bone tissue regeneration and as strategies to overcome the drawbacks of current interventions and deliver a better quality of life to the patient.O tecido ósseo constitui um tecido dinâmico e complexo que desempenha funções vitais no nosso organismo, tais como a simples locomoção. Após a ocorrência de uma fratura, o osso possui a capacidade natural de se regenerar. No entanto, em defeitos ósseos alargados e em doenças ósseas com desequilíbrios na remodelação óssea, como a osteoporose, esta capacidade não é suficiente. Sendo assim, intervenções complexas são necessárias, como por exemplo implantes ou enxertos ósseos, que normalmente são acompanhadas de dor crónica, morbilidade do doente e transmissão de doenças. De facto, as fraturas ósseas representam um risco real para a saúde publica e traduzem-se num encargo tanto económico como social. Além do mais, a incidência de doenças ósseas tem aumentado e Portugal acompanha essa tendência, urgindo a necessidade de novas alternativas. Estima-se que 17% das mulheres portuguesas e 2,6% dos homens são afetados pelas osteoporose, a principal causa associada a fraturas de fragilidade. Sendo assim, suportes biocompatíveis, biodegradáveis e com propriedades mecânicas e biológicas compatíveis com as do osso surgem como alternativas ideais. Adicionalmente, a combinação de uma matriz polimérica e de nano-enchimentos resulta num compósito com propriedades superiores e que demonstra resultados promissores na cicatrização de defeitos ósseos em condições osteoporóticas. Posto isto, esta revisão foca-se, essencialmente, no design, fabrico e comportamento in vitro e in vivo de polímeros nanocompósitos de modo a cumprir o seu potencial na regeneração do tecido ósseo e como estratégias que permitam ultrapassar os inconvenientes das intervenções atuais e entregar uma melhor qualidade de vida ao doente
Characterisation of the Activity and Economic Evaluation of an Interventional Radiology Emergency Service
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de MedicinaIntroduction: Interventional Radiology (IR) has taken on an increasingly central role in responding to urgent and emergent clinical situations, offering minimally invasive procedures that promote faster recovery and lower morbidity rates. In Portugal, the supply of uninterrupted IR services is still limited, with the Coimbra Local Health Unit (ULS) being an exception in providing this model. The aim of this study was to assess the impact of the continuous availability of the IR service on patients' clinical outcomes, as well as to characterise the procedures performed and estimate the associated costs.Methods: This was an observational, retrospective study which analysed the clinical data of 444 patients who underwent urgent/emergent IR procedures throughout 2023 at the ULS Coimbra.Results: The majority of patients were from the Centre region of Portugal and their average age was 67.65 ± 17.86 years. The results revealed an association between the time of the interventions and the clinical outcomes, suggesting that the existence of an uninterrupted schedule could have a positive influence on the results obtained. The median length of stay in hospital was 10 days and there was also a high degree of heterogeneity in the type of procedure, with an average cost of €530.04 per patient.Discussion and Conclusion: This study reinforces the relevance of implementing an uninterrupted scale of IR service, highlighting its potential to improve hospital efficiency and the care provided to patients in urgent and emergent settings.Introdução: A Radiologia de Intervenção (IR) tem vindo a assumir um papel cada vez mais central na resposta a situações clínicas urgentes e emergentes, oferecendo procedimentos minimamente invasivos que promovem uma recuperação mais rápida e com menores taxas de morbilidade. Em Portugal, a oferta de serviços de IR em regime ininterrupto é ainda limitada, sendo a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra uma exceção ao paradigma verificado a nível nacional. O presente estudo teve como objetivo avaliar o impacto da disponibilidade contínua do serviço de IR nos desfechos clínicos dos doentes, bem como caracterizar os procedimentos realizados e estimar os custos associados.Métodos: Estudo de carácter observacional e retrospetivo, no qual foram analisados dados clínicos de 444 doentes submetidos a procedimentos urgentes/emergentes de IR ao longo do ano de 2023, na ULS Coimbra.Resultados: A maioria dos doentes eram provenientes da região Centro de Portugal e a sua média de idades situou-se nos 67,65 ± 17,86 anos. Os resultados revelaram uma associação entre o horário das intervenções e os desfechos clínicos, sugerindo que a existência de uma escala ininterrupta poderá influenciar positivamente os resultados obtidos. A mediana da permanência no hospital situou-se nos 10 dias e verificou-se, ainda, uma elevada heterogeneidade na tipologia dos procedimentos com uma média de expensas relacionadas com os mesmos de 530,04€ por doente.Discussão e Conclusão: Este estudo reforça a relevância da implementação de uma escala ininterrupta do serviço de IR destacando o seu potencial para melhorar a eficiência hospitalar e os cuidados prestados aos doentes em contexto urgente e emergente
Efeitos de terapêuticas anti-CD20 em subpopulações linfocitárias em doentes com esclerose múltipla e correlação com a clínica
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de MedicinaIntroduction:Anti-CD20 monoclonal antibodies like Ocrelizumab and Ofatumumab represent a key class of disease-modifying therapies (DMTs) available for patients with multiple sclerosis (MS), mainly exerting effect through the depletion of B-cells. In addition, recent studies also show a role in decreasing T cells. However, there are limited studies that directly compare Ocrelizumab and Ofatumumab’s effects in B and T cells and its possible clinical correlation. Therefore, this study aims to compare the effect of Ocrelizumab and Ofatumumab on B and T lymphocytes populations and subpopulations over a 12-month period, along with possible clinical correlations. Methods: All patients who had received either Ocrelizumab or Ofatumumab for MS treatment and with a follow-up of, at least, 12 months were included. Flow cytometry in peripheral blood was used to assess B and T lymphocyte populations and subpopulations. The laboratory evaluations were conducted at baseline, at 6 months and at 12 months of treatment. Results: A total of 123 patients with MS were included in this study, 80 treated with Ocrelizumab and 43 with Ofatumumab. Both groups had comparable baseline B and T cell profiles, except for higher immature B cells and CD20+ T cell subsets in the Ocrelizumab group. At 12 months, Ofatumumab-treated patients showed significantly lower B cell and subpopulation counts, except for memory B cells. T- cell metrics remained largely similar, except for higher counts of CD4+ CD20+ T cells in the Ofatumumab group. EDSS was significantly lower in the Ofatumumab group at follow-up, though relapse rates did not differ.Discussion: Ocrelizumab and Ofatumumab exhibited distinct B-cell depletion profiles in MS. Ofatumumab led to more sustainable reductions in early B-cell subsets, while Ocrelizumab showed greater depletion of memory B cells. T-cell profiles were generally stable, though a higher proportion of CD4+ CD20+ cells was observed with Ofatumumab at 12 months. While both treatments achieved low relapse rates, a lower follow-up EDSS score was observed in the Ofatumumab group, though this may reflect baseline differences and remains to be further elucidated with longer longitudinal studies.Conclusion: Both Ocrelizumab and Ofatumumab demonstrate effective immunomodulation in MS, with differing profiles of B cell subset depletion. These differences may carry clinical relevance and warrant further investigation in longer-term studies.Introdução:Os anticorpos monoclonais anti-CD20, como Ocrelizumab e Ofatumumab, representam uma classe essencial de terapias modificadoras da doença (DMTs) disponível para pacientes com esclerose múltipla (EM), atuando principalmente na depleção de células B. Além disso, estudos recentes também sugerem um papel na redução de células T. No entanto, existem poucos estudos que comparam diretamente os efeitos do Ocrelizumab e do Ofatumumab sobre as células B e T, bem como suas possíveis correlações clínicas.Sendo assim, este estudo tem como objetivo comparar o efeito do Ocrelizumab e do Ofatumumab nas populações e subpopulações de linfócitos B e T ao longo de um período de 12 meses, para além de avaliar possíveis correlações clínicas.Métodos:Foram incluídos todos os pacientes que haviam recebido Ocrelizumab ou Ofatumumab para tratamento da EM e que tinham, pelo menos, 12 meses de seguimento. Foi utilizada citometria de fluxo em sangue periférico para avaliar as populações e subpopulações de linfócitos B e T. As avaliações laboratoriais foram realizadas no início do tratamento, aos 6 meses e aos 12 meses.Resultados:Um total de 123 pacientes com EM foi incluído no estudo, estando 80 sob Ocrelizumab e 43 sob Ofatumumab. Ambos os grupos apresentavam perfis celulares B e T semelhantes no início, com exceção de níveis mais elevados de células B imaturas e de subpopulações de células T CD20+ no grupo do Ocrelizumab. Aos 12 meses, os pacientes tratados com Ofatumumab apresentaram contagens significativamente menores de células B e suas subpopulações, com exceção das células B de memória. As métricas relacionadas às células T permaneceram, em geral, estáveis, com exceção de uma contagem maior de células T CD4+ CD20+ no grupo do Ofatumumab. O score EDSS foi significativamente menor nesse grupo no acompanhamento, embora as taxas de surtos tenham sido semelhantes entre os grupos.Discussão:Ocrelizumab e Ofatumumab demonstraram perfis distintos de depleção de células B na EM. O Ofatumumab levou a uma redução mais duradoura nas subpopulações iniciais de células B, enquanto o Ocrelizumab apresentou maior depleção das células B de memória. Os perfis de células T se mantiveram estáveis na maioria das análises, embora uma maior proporção de células CD4+ CD20+ tenha sido observada com Ofatumumab aos 12 meses. Embora ambos os tratamentos tenham mantido baixas taxas de surto, o grupo tratado com Ofatumumab apresentou um EDSS mais baixo no seguimento, embora isso possa refletir diferenças iniciais, exigindo investigação em estudos longitudinais mais prolongados.Conclusão:Tanto o Ocrelizumab quanto o Ofatumumab demonstram eficácia imunomoduladora na EM, com perfis distintos de depleção das subpopulações de células B. Essas diferenças podem ter relevância clínica e merecem ser melhor investigadas em estudos de longo prazo
Functional Hypothalamic Amenorrhea: Clinical Consequences on Women's Health
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de MedicinaFunctional hypothalamic amenorrhea (FHA) is one of the most common causes of secondary amenorrhea. This condition is due to a disturbance in the frequency and/or amplitude of pulsatile secretion of gonadotropin-releasing hormone, interrupting the hypothalamic-pituitary-ovarian axis, which results, ultimately, in hypoestrogenism and anovulation. There are three main types of FHA depending on the main causal factor: weight loss-related, exercise-related and stress-related. Regardless of the underlying factor, if prolonged, FHA can have consequences that extend beyond the reproductive sphere, with its impact being observed in the bone, cardiovascular system and mental health, along with the genitourinary system and sexual function. These consequences are mainly due to the resulting hypoestrogenism. The aim of this review is to study the impact of FHA on women’s overall health, while describing its consequences in the systems mentioned above, in order to better understand this condition, facilitate management and promote these women’s health. A literature review was conducted using the PubMed and Elsevier Science Direct databases, gathering the most relevant evidence on the topic published between January 2014 and December 2024. At the bone level, there is a decrease in bone mineral density and changes in microarchitecture and bone strength, with an increased risk of fractures. In the long term, osteopenia and osteoporosis may occur. Regarding the cardiovascular system, endothelial dysfunction, changes in the lipid profile and glucose metabolism abnormalities are some of the consequences, with an increased risk of developing cardiovascular disease. Psychological consequences include a higher prevalence of mood disorders, particularly anxiety and depressive symptoms, sleep disorders and a negative impact on verbal memory and executive function. At the reproductive level, there is a risk of infertility and, in the event of a pregnancy, a greater likelihood of poor obstetric and neonatal outcomes, including fetal loss, preterm birth, delivery by cesarean section and small for gestational age babies. There are also atrophic changes in the urogenital mucosa and a higher incidence of sexual dysfunction. The approach to FHA focuses on restoring menses by identifying and correcting the underlying factors, with a multidisciplinary team being essential to achieve this goal. Additionally, the aim is to prevent the consequences of this condition, or, if present, to provide appropriate treatment. First-line treatment involves lifestyle modifications, while pharmacological treatment is recommended for cases of prolonged amenorrhea in which those measures are ineffective.A amenorreia hipotalâmica funcional (AHF) é uma das causas mais comuns de amenorreia secundária. Esta deve-se a uma perturbação na frequência e/ou amplitude da secreção pulsátil da hormona libertadora de gonadotrofinas com interrupção do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, o que resulta, em última instância, num hipoestrogenismo e anovulação. A AHF divide-se em três principais tipos consoante o fator causal: associada a perda de peso, exercício físico ou stress. Independentemente do fator causal subjacente, a AHF, se prolongada, pode provocar consequências que se estendem para além da esfera reprodutiva, sendo descrito o seu impacto a nível ósseo, cardiovascular e mental, além do sistema geniturinário e na função sexual. Estas consequências decorrem, maioritariamente, do hipoestrogenismo resultante. O objetivo desta revisão consiste em estudar o impacto da AHF na saúde global da mulher, descrevendo-se as suas consequências nos sistemas anteriormente mencionados, com o intuito de melhor compreender esta patologia e facilitar a abordagem e a promoção da saúde destas mulheres. Foi realizada uma revisão da literatura existente nas bases de dados PubMed e Elsevier Science Direct, tendo sido reunida a evidência mais relevante no que toca ao tema publicada entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024. A nível ósseo, verifica-se uma redução da densidade mineral óssea e alterações na microarquitetura e resistência ósseas, com um risco acrescido de fratura. A longo prazo, pode verificar-se osteopenia e osteoporose. A nível cardiovascular, a disfunção endotelial, as alterações no perfil lipídico e as anomalias do metabolismo da glicose são algumas das consequências, com um aumento do risco de desenvolvimento de doença cardiovascular. As consequências psicológicas incluem uma maior prevalência de perturbações do humor, nomeadamente ansiedade e sintomas depressivos, perturbações do sono e um impacto negativo na memória verbal e função executiva. A nível reprodutor, existe o risco de infertilidade e, no caso de gravidez, uma maior probabilidade de maus desfechos obstétricos e neonatais, incluindo morte fetal, parto pré-termo, parto por cesariana e fetos pequenos para a idade gestacional. Verificam-se ainda alterações de caráter atrófico na mucosa urogenital e uma maior incidência de disfunção sexual. A abordagem da AHF consiste em restabelecer a menstruação através da identificação e correção dos fatores causais, sendo essencial uma equipa multidisciplinar. Para além disso, pretende-se garantir a prevenção das consequências desta patologia, ou, na sua presença, o seu tratamento adequado. O tratamento de primeira linha passa pelas mudanças de estilo de vida, sendo indicado tratamento farmacológico para os casos de amenorreia prolongada em que aquelas não são eficazes
Non-prescribed therapy – the reality of a Pediatric Oncology Unit
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de MedicinaIntroduction: Complementary therapies (CTs) are commonly used in Pediatric Oncology to complement conventional treatments. Their use stems from a desire to enhance the quality of life. However, gaps in communication between doctors and patients regarding CTs raise significant concerns about safety and proper integration into healthcare. This study aimed to evaluate the prevalence of CT usage, the factors influencing its adoption, patients' and caregivers' perceptions of its effectiveness, the need for medical guidance and/or counseling on the topic, and the primary sources of information used.Methods: Descriptive, observational, and cross-sectional study conducted at the Pediatric Oncology Service of the Pediatric Hospital of Coimbra. Data collection was carried out using a structured, anonymous self-administered questionnaire applied during February 2025. Statistical analysis was performed using software, employing descriptive statistics and inferential tests (significance if p50%). The low communication rate between doctors and patients regarding CT use (27,3%) reflects a gap similar to that found in previous studies. Although CT users trust their attending physicians, 96,6% of caregivers would like this topic to be addressed by a healthcare professional. The lack of medical training on CTs, already identified in other studies, highlights the need to integrate this topic into curricula for a more informed and safe approach.Conclusion: The results show that a significant percentage of patients have used CTs, primarily to reduce the side effects of conventional treatments and improve their quality of life. However, most users do not inform the medical team about their use, highlighting a communication gap. These findings emphasize the need for an open dialogue among all those involved, as well as the development of clinical guidelines and training of healthcare professionals for a safer and more effective approach.Introdução: As terapias complementares (TCs) são frequentemente utilizadas na área da Oncologia Pediátrica como complemento aos tratamentos convencionais. A sua adoção deve-se à procura de melhorias na qualidade de vida. Contudo, as lacunas existentes na comunicação entre médicos e doentes sobre o seu uso, levantam sérias preocupações quanto à sua segurança e à integração adequada nos cuidados de saúde. Este estudo pretendeu avaliar a prevalência do uso de TCs, os fatores que influenciam a sua adoção, a perceção dos doentes/cuidadores sobre a sua eficácia, a necessidade de orientação e/ou aconselhamento médico sobre o tema e as principais fontes de informação utilizadas.Métodos: Estudo descritivo, observacional e transversal, conduzido no Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra. A recolha de dados foi feita através de um questionário estruturado de autopreenchimento, anónimo, aplicado durante o mês de fevereiro de 2025. A análise estatística foi realizada através de software, utilizando estatísticas descritivas e testes inferenciais (significância se p50%). A baixa taxa de comunicação entre médicos e doentes sobre o uso de TCs (27,3%) reflete uma lacuna semelhante à encontrada em estudos anteriores. Apesar dos utilizadores de TCs confiarem nos médicos assistentes, 96,6% dos cuidadores gostariam que esta temática fosse abordada por um profissional de saúde. A falta de formação médica sobre TCs, já identificada em outros estudos, destaca a necessidade de integrar este tema nos curricula académicos para uma abordagem mais informada e segura.Conclusão: Os resultados demonstram que uma percentagem significativa dos doentes recorreu a TCs, principalmente para reduzir os efeitos secundários dos tratamentos convencionais e melhorar a qualidade de vida. Contudo, a maioria dos utilizadores não informa a equipa médica sobre o seu uso, evidenciando uma lacuna na comunicação. Estes achados evidenciam a necessidade de um diálogo aberto entre todos os intervenientes, bem como do desenvolvimento de diretrizes clínicas e da capacitação dos profissionais de saúde para uma abordagem mais segura e eficaz
Impact of an intervention on people with diabetes that lost follow up in the health centre
Trabalho Final do Mestrado Integrado em Medicina apresentado à Faculdade de MedicinaIntroduction: Type 2 diabetes mellitus (T2DM) is a chronic metabolic disease with a high prevalence and rapid expansion. Follow-up consultations for diabetes are of the utmost importance. They allow for monitoring, planning, and guiding patients and identifying complications early, thereby contributing to reduced morbidity and mortality. However, there are cases of patient absence from these follow-up consultations, making it crucial to intervene to promote adherence and improve disease control.Objective: To study the impact of an intervention on patients with T2DM who do not have adequate follow-up. The aim is to evaluate and compare the frequency of follow-up consultations and cardiometabolic control variables before and 12 months after the intervention (phone contact and adaptations in healthcare units) in both groups: intervention and control.Methods: A randomized controlled clinical trial focusing on improving the quality of care delivery. Target population: patients, not residing in nursing homes, who missed at least one follow-up consultation in four health centres (n=138). In the first phase, the most recent sociodemographic and clinical data were collected, followed by an equal and random allocation to the intervention and control groups, each with 69 participants. In the intervention group, a telephone questionnaire was conducted to investigate reasons for absence, suggestions for improving adherence, and knowledge about the need for follow-up consultations. Patients followed in hospitals or private consultations were excluded, resulting in 101 participants. Results were discussed in a meeting, and appropriate improvements were implemented. A comparative study was conducted on adherence to follow-up consultations and cardiometabolic control, using the most recent parameters from the patients' electronic records. Qualitative statistics were analyzed through content analysis, and quantitative statistics were analyzed using descriptive and inferential methods.Results: The final sample comprised 101 individuals, 43 belonging to the intervention group. Most patients with T2DM were male (50.5%), with a median age of 66 years in the control group and 64 years in the intervention group. At the beginning of the study, the groups were homogeneous regarding clinical variables, except for triglycerides (p=0.04). Among those who responded to the questionnaire, 76.7% were aware of the need for follow-up consultations every six months, with forgetfulness being the main reason for missing appointments (39.5%). After the intervention, an improvement in consultation adherence was observed in both groups, with a statistically significant difference between them (p=0.042) and an improvement in HbA1c7levels in the intervention group (median reduction from 7 to 6.9, with p=0.047). However, no significant changes were observed in other clinical parameters.Discussion and Conclusion: The study has limitations, such as the small sample size, potential observation bias, and uncertainty regarding applying the same exclusion criteria in the control group. However, it stands out for its well-executed randomization, homogeneity between groups, population representativeness, and implementation in four Family Health Units (USF), reinforcing the validity of the results. The findings indicate that phone calls, both as a questionnaire and as a means of informing patients about consultations, along with improvements in consultation access implemented in healthcare units, had a positive impact. Greater adherence to consultations and better glycemic control were observed in the intervention group. These results suggest that this intervention may be an effective strategy to enhance adherence to follow-up consultations and disease management in patients with T2DM.Introdução: A Diabetes Mellitus tipo 2 (DMT2) é uma doença metabólica, crónica, com elevada prevalência e em franca expansão. As consultas de seguimento da diabetes são de extrema importância, permitindo vigiar, planear e orientar o paciente, identificando precocemente complicações associadas, contribuindo para a diminuição da morbimortalidade. No entanto, verificam-se ausências ao seguimento nestas consultas, pelo que parece importante intervir no sentido de promover o mesmo e assim, melhorar o controlo da doença.Objetivo: Estudar o impacto de uma intervenção sobre os pacientes com DMT2 sem seguimento adequado. Avaliar e comparar a frequência das consultas de seguimento e variáveis de controlo cardiometabólico, antes e 12 meses após intervenção (contacto telefónico e adaptações nas unidades de saúde) em ambos os grupos: intervenção e controlo.Métodos: Ensaio clínico randomizado e controlado, com foco na melhoria da qualidade na prestação de cuidados. População-alvo: pacientes, não residentes em lar de idosos, que não compareceram a pelo menos uma consulta de seguimento em 4 centros de saúde (n=138). Na primeira fase, foram recolhidos dados sociodemográficos e clínicos mais recentes dos pacientes e, posteriormente, foi realizada a alocação equitativa e aleatória ao grupo intervenção e grupo controle, cada um com 69 utentes. No grupo intervenção, foi realizado um questionário através de chamada telefónica, de forma a investigar as causas de ausência, sugestões de melhoria para a adesão e conhecimento sobre a necessidade de consultas de seguimento. Foram excluídos pacientes seguidos no hospital e consultas privadas, perfazendo um total de 101 participantes. Foram discutidos os resultados em reunião e implementadas melhorias adequadas, foi feito estudo comparativo da adesão às consultas de seguimento de DMT2, bem como controlo cardiometabólico, utilizando parâmetros mais recentes do registo eletrónico do utente. Estatística qualitativa por análise de conteúdo e quantitativa descritiva e inferencial.Resultados: Amostra final com 101 indivíduos, dos quais 43 pertencentes ao grupo de intervenção. Os pacientes com DMT2 eram, na sua maioria, homens (50,5%), a mediana de idades 66 anos no grupo controlo e 64 no de intervenção. No início do estudo, verificou-se homogeneidade dos grupos em relação às variáveis clínicas, com exceção dos TG (p=0,04). Entre aqueles que responderam ao questionário, 76,7% estavam cientes da necessidade de realizar consultas de seguimento a cada seis meses, sendo o esquecimento a principal razão para não comparecência às consultas (39,5%). Depois da intervenção, observou-se uma melhoria em ambos os grupos na adesão à consulta, com diferença estatisticamente5significativa entre os grupos (p=0,042) e nos níveis de HbA1c no grupo intervenção (redução da mediana de 7 para 6,9, com p= 0,047), sem repercussão nos restantes parâmetros clínicos.Discussão e Conclusão: O estudo apresenta algumas limitações, como a amostra reduzida, possível viés de observação e a incerteza sobre a aplicação dos critérios de exclusão no grupo de controlo. No entanto, destaca-se pela randomização bem executada, homogeneidade entre os grupos, representatividade da população e realização em quatro USF, reforçando a validade dos resultados. Os dados indicam que, tanto os telefonemas utilizados como questionário ou como forma de informar sobre as consultas, bem como as melhorias no acesso às consultas implementadas nas unidades tiveram um impacto positivo, pois foi observada uma maior adesão às consultas e um melhor controlo glicémico no grupo intervenção. Esses resultados sugerem que este tipo de intervenção parece ser uma estratégia eficaz para melhorar a adesão às consultas de acompanhamento e controlo de doentes com DMT2