Em Portugal, o mês de março de 2013 foi marcado por uma manifestação que pretendia ser o ponto culminante de um protesto anti “políticos”, de forma direta anti-governo, mas essencialmente anti instituições políticas, alimentado por um movimento assumidamente não partidário, criado e sustentado pelas redes sociais, e autodenominado “Que se lixe a troika”. É a versão portuguesa do movimento dos indignados que marcou a agenda social e política de outros países europeus e, em particular, da vizinha Espanha.
O objetivo deste trabalho é analisar, a propósito da manifestação de 2 de março, o modo como se constrói o ethos coletivo deste movimento, com atenção particular às estratégias multimodais selecionadas pelos diversos participantes nesta prática social e verbal complexa.
A teoria do ethos, tal como é desenvolvido por autores como Maingueneau (1999), Amossy (1999, 2000, 2010) ou ainda Charaudeau (2005) constitui o suporte teórico da nossa abordagem.info:eu-repo/semantics/publishedVersio