Associação de Investigadores da Imagem em Movimento (AIM)
Abstract
Partindo da afirmação do crítico Bruce Sterling que lhe dá título, a
comunicação procurará enunciar processos de articulação e sobreposição entre os
imaginários da arquitetura e do cinema; através da apresentação e desmontagem da
curta-metragem Anywhere (2014), ensaiar-se-á uma argumentação sustentada na
convicção de um carácter ficcional da arquitetura, entendido aqui enquanto mecanismo
privilegiado na construção das realidades propostas pelo cinema. Tais realidades
resultam assim de uma transformação da ilusão implícita ao cinema em ambiente
narrativo credível, o que, julgamos, induz na perceção uma ambiguidade operativa entre
o que se projeta - enquanto realidade - e o que se representa - enquanto ficção. Neste
processo, a utilização da arquitetura como sujeito fundamentalmente discursivo e
poético - qualidades afinal já inerentes à sua identidade disciplinar - vem acrescentar
verosimilhança ao simulacro da representação, transformando a reprodução da realidade
- através da narrativa ficcional - em efetiva construção. No limite dos seus possíveis
argumentos, a comunicação reconhecerá então a cumplicidade entre Arquitetura e
Cinema enquanto relação mediada entre a procura de um reconhecimento objetivo do
real e a capacidade de tornar esse real numa alucinação, que é também, como afirmou
André Bazin, um facto.info:eu-repo/semantics/publishedVersio