A cunhagem da palavra ‘portugalidade’ ocorreu entre
as décadas de 50 e 60 do século XX, sendo
um produto do Estado Novo. Trata-se de um processo
que foi sublinhado após a revogação, em 1951,
do Ato Colonial, em que as colónias passaram a
denominar-se províncias ultramarinas e em que foi
disseminado o slogan “Portugal do Minho a Timor”
destinado a combater os movimentos independentistas
que lá emergiam, defendendo a pertença desses
territórios a Portugal. Foi em 1947, com a publicação
do opúsculo Em Defesa da Portugalidade,
da autoria de Alfredo Pimenta que, pela primeira
vez, alguém se debruçou de forma específica sobre
a ‘portugalidade’, discorrendo sobre o seu signifi-
cado e tipificando o conceito. Após um hiato na
sua utilização, na sequência da revolução do 25 de
abril, em que se verificou um distanciamento em relação
a assuntos que eram característicos do Estado
Novo, o termo vai sendo reintroduzido no léxico,
não fugindo no entanto ao ideário luso-tropicalista
em que foi forjado (Ferronha, 1969), provocando vá-
rios equívocos.The coining of the word ‘Portugality’ [‘portugalidade’]
is identified as having taken place between
the 50 and 60 decades of the twentieth century, being
a ‘Estado Novo’ (dictatorship period, between 1928-
1974) product. That dynamic was underlined after
the repeal, in 1951, of the ‘Colonial Act’, where the
colonies would be called as overseas provinces and
the slogan “Portugal form Minho to Timor” was disseminated,
to combat the independence movements
that emerged, defending that territories belonged to
Portugal. It was in 1947, with the publication of the
booklet In Defense of Portugality [Portugalidade],
wroten by Alfredo Pimenta, that for the first time,
someone studied specifically the ‘portugality’ [‘portugalidade],
discussing its meaning and typifying the
concept. After a hiatus in its use, following the ‘Carnation Revolution’ (April, 1974), in which there was
a distance from certain subjects that were characteristic
of the Estado Novo, the term is being reintroduced
into the lexicon, but it does not escape to
the Luso-Tropicalist ideology in which it was forged
(Ferronha, 1969), causing several misunderstandings.(undefined)info:eu-repo/semantics/publishedVersio