research

Tabucchi e Vila-Matas: uma convergência açoriana de olhares?

Abstract

Na vanguarda da renovação da narrativa espanhola, Vila-Matas, detentor de uma vasta obra metaliterária e autoficcional, é, consoante o testemunho de Ricardo Piglia, “o escritor da história imaginária da literatura contemporânea”. Advogando o desaparecimento do privilégio autoral e o repúdio pela identidade pessoal, a pluralidade de sentidos subjacente a uma escrita sinónima de impostura e o culto inédito de citações distorcidas ou inventadas, o escritor barcelonês, mais viajante – na senda pessoana de “Perder países” – do que turista, rende preito a Amália Rodrigues em Extraña forma de vida e à Ilha da Madeira em El viaje vertical. Admirador de Antonio Tabucchi, cuja escrita o fascina, o homo viator Vila-Matas, quer numa entrevista a Curro Cañete quer num capítulo de Desde la Ciudad Nerviosa, homenageia o arquipélago açoriano, que visitou para redigir a crónica “En las Azores”, para se sentar no banco onde Antero se havia suicidado e para escutar histórias de espionagem num bar da Cidade da Horta, defronte do Pico, que havia mitificado na esteira da mitificação que dele havia feito o Autor de Mulher de Porto Pim. Mediante galeria significativa de personagens que pululam como quase heterónimos, cultivando a ausência e o vazio conducentes ao fracasso literário (que uma produção invejável contradita), Vila-Matas apressa-se a destilar memórias viageiras das “Ilhas de Bruma” na sua obra romanesca. Assim sendo, não glorificarão, nas pisadas de Tabucchi, El Mal de Montano e Exploradores del Abismo os Açores ?info:eu-repo/semantics/publishedVersio

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