Diz um antigo ditado chinês que quando o sábio aponta para a lua, o tolo olha para o seu dedo. Este texto propõe-se fazer exactamente o mesmo: olhar para o dedo que aponta. Assumirei, autorizado pela etimologia, que todos os teatros – e mais especificamente a secção de auditório dos teatros – funcionam como dispositivos apontadores, tendo em conta a vasta gama de estratégias, arquitectónicas e não só, que foram desenvolvidas ao longo da História com vista, precisamente, a esse apontar. Assim, proponho-me investigar esta função de direccionação da atenção ou, para regressar à etimologia da própria palavra “theatron”, inquirir sobre aquilo que torna os teatros estruturas arquitectónicas particularmente eficientes em “dar a ver” ou em “fazer-nos ver”.Fundação Fulbright - bolsa de doutoramento. Bolsa de Doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com a referência PRAXIS XXI/BD/19778/99info:eu-repo/semantics/publishedVersio