research

Um desígnio de paz para Roma: Representações de Augusto em Virgílio e Horácio

Abstract

[Excerto] Decorreram, durante o ano de 2014, as celebrações do bimilenário da morte de Augusto (63 a.C.-14 d.C.)2 e, nessa circunstância, o mundo académico evocou a personalidade do político que instaurou uma nova era de paz, passado o pesadelo das guerras civis, e revitalizou uma Roma material e moralmente necessitada de um novo rumo. Entre os poetas que assistiram a este movimento de renovação augustana e cantaram, de modo mais ou menos directo ou subliminar, os feitos e a Roma do princeps, encontram-se Virgílio e Horácio, dois vultos poéticos da Antiguidade que nunca será demais revisitar. No presente artigo, veremos como Virgílio, uma alma de sublime sensibilidade, aderiu ao programa reformador do princeps, apesar das hesitações, e como o Venusino, que acima de tudo prezava a sua liberdade pessoal e recusava a grande poesia celebrativa, pôde, sem incoerência, associar-se ao coro das vozes exaltadoras da acção de Augusto. Em boa verdade, nem um nem outro começaram por ser indefectíveis apoiantes do principado de Augusto, mas foram ambos poetas augustanos no sentido de que contribuíram, como escreveu Michèle Lowrie (2008: 89), para a hegemonia ideológica do novo regime e dela acabaram por beneficiar. [...]info:eu-repo/semantics/publishedVersio

    Similar works