A comunidade lusófona tem para cima de 250 milhões de falantes, mas apenas uma minoria
desenvolve um sentimento de pertença baseado numa língua comum. De acordo com o escritor
moçambicano, Mia Couto, a Lusofonia não é uma realidade de voz cheia, mas antes um lugar
"luso-afónico", isto é, um lugar sem voz, sem o conhecimento, nem o reconhecimento das
semelhanças, neste vasto espaço geográfico e cultural.
Reconhecendo este fosso, as associações de Ciências da Comunicação do espaço lusófono
lançaram, em 1997, uma rede de cooperação, primeiramente entre pesquisadores de Portugal
e Brasil, logo seguidos pelos investigadores galegos, e posteriormente para todo o espeço
lusófono. Este movimento baseia-se no pressuposto de que a diversidade linguística enriquece
a ciência e de que esta deve ser global e contextualmente relevante.
A Lusofonia pode ser discutida sob vários pontos de vista, todos relacionados com a identidade
cultural dos países de língua portuguesa. Gostaria de aprofundar o meu ponto de vista,
centrando-o no estatuto social da língua. Começarei por me referir ao Inglês como língua
dominante. E não gostaria de deixar de salientar alguns desafios que, a meu ver, os grupos de
investigação lusófonos têm de enfrentar num mundo global dominado pelos paradigmas anglosaxónico.
A minha abordagem está centrada na língua, entendida como manifestação cultural, expressão
do pensamento, espaço relacional e instrumento de organização simbólica do mundo. Tal
entendimento coincide com o poder simbólico da língua (teoria de Pierre Bourdieu) e com a
perspectiva pós-colonial, que questiona a dominação, submissão, subordinação e controle das
periferias, das minorias, das diásporas, dos migrantes...Within the Lusophone community of over 250 million speakers only a minority developed a
sense of belonging based on their common language, a phenomenon that is still very real today.
According to the Mozambican writer, Mia Couto, Lusophony is not a ‘loud’ reality, rather a “lusoaphonic”
one, that is, a place of low voices, no knowledge and no acknowledgement of the
commonalities between themselves in this vast geographic and cultural space.
Recognizing precisely this gap, in 1997, Communication research associations in Lusophone
countries have promoted the setting up of a research cooperation network primarily between
Portuguese and Brazilian researchers, and then extending it to the Galician community, and
subsequently to the entire Lusophone space. This movement is based on the assumption that
linguistic diversity enriches science and that science should be globally and contextually
relevant. Lusophony can be discussed from various points of view, all related to the cultural identity of
the Portuguese-speaking countries. I would like to explain my point of view, focused on the
social status of language. Then, I will refer to the English language has a dominant language.
Finally, I would like to point out some challenges that, from my perspective, the Lusophone
research groups have to face in a global world dominated by English and anglo-saxon
paradigms.
My approach is in fact focused on the perspective of language, understood as a cultural
manifestation, the expression of thought, a relational space, and an instrument of symbolic
organization of the world. Such understanding is coincident with the symbolic power of
language (Pierre Bourdieu’s theory), and with the post-colonial perspective which questions
the domination, submission, subordination and control of peripheries, minorities, diasporas,
migrants…info:eu-repo/semantics/publishedVersio