research

Ruy Duarte: um cinema da palavra para re-imaginar a angolanidade

Abstract

Com as séries Angola 76, é a Vez da Voz do Povo? e Presente Angolano, Tempo Mumuíla, Ruy Duarte participou no que cha-mou “cinema de urgência”, através do qual se registaram modos de vida e tradições além da ânsia da construção do país. É um cinema da palavra, do testemunho, que supera o registo, colo-nialista, da fixação dos corpos e objectos. Mas, é um “cinema etnográfico” aquele que faz, questiona-se a dada altura? Este ensaio revisita a obra cinematográfica de Ruy Duarte, pen-sada em articulação com a polémica de 1965 entre Jean Rouch e Ousmane Sembène, e no âmbito da busca de uma linha de equilí-brio entre dois dinamismos – o de um tempo mumuíla e o de um presente angolano –, no quadro do cinema angolano projectado por Luandino Vieira. Que lugar ocupou Nelisita na construção de “uma delicada zona de compromisso” – um espaço utópico – “entre quem fornece os meios [o novo Estado Angolano], quem os maneja [Ruy Duarte e a equipa da TPA] e quem depõe, se ex-põe perante os mesmos”

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