A questão que podemos formular de início prende-se com o enigma histórico que é a sobrevivência da comunidade judaica de Belmonte. Podemos perguntar como foi possível tal sobrevivência, quando noutro espaço, com outros cripto-judeus, a identidade judaica se diluiu na comunidade circundante. Esta questão chega a ser formulada nestes termos na p. 16 do estudo em causa.
Pensamos, porém, que se nos colocamos do mero ponto de vista da "investigação causal e histórica , o mais que podemos conseguir é detectar a prática endogâmica na preservação da comunidade (pp. 110-129), ou então, o importante papel da mulher como
factor de identização. Foram, com efeito, as mulheres quem, de geração em geração, repetiu os ensinamentos da Tora; conhecedoras da Lei, dos ritos e costumes, das orações, da Palavra, guardiãs do saber, chamavam-lhes as "rezadeiras" (p. 57)