Universidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Abstract
Temos hoje a sensação de que já não vivemos numa sociedade afortunada
e providencialista. A vertigem, a crise, o risco e o fim são palavras
que utilizamos para caraterizar a atmosfera da época que vivemos. Por um
lado, a perceção do risco e do perigo mantém-nos em constante sobressalto
e desassossego. Por outro lado, a sociedade vive em permanente flirt
com a morte. Dessacralizada, laica e mundana, a sociedade passa a vida a
combinar Thanatos e Eros. Temos aqui uma cinética, que nos mobiliza para
o presente, nela se manifestando, igualmente, a nossa condição trágica.
Penso que podemos dizer, com rigor, que mais do que de uma atmosfera
de época, esta cinética constitui o traço próprio da nossa cultura,
que vive a sua translação do regime da palavra para o regime da imagem
tecnológica. E também podemos acrescentar que essa translação nos deixa
“em sofrimento de finalidade” (Lyotard, 1993, p. 93; Martins, 2002b)