'Universidade Tecnologica Federal do Parana (UTFPR)'
Abstract
Publicado em: "Anais do VIII Congresso Iberoamericano em Ciência, Tecnologia e Gênero". ISSN 2177-3467Descrevemos os objectivos de um projecto que envolve sociólogos e geneticistas, que aborda os
impactos sociais dos testes de DNA ordenados por tribunais, em Portugal, para apuramento da
paternidade biológica de crianças sem “pai oficial”. Partimos da hipótese que estes testes configuram
uma co-produção complexa entre as relações sociais de género, o judicial e o científico, que reclama
a consolidação de uma “epistemologia cívica” da parte das mulheres.
Os usos e os impactos do DNA não são neutros, antes social e localmente construídos por diferentes
actores sociais. Sobressaem, contudo, desta ecologia de saberes e práticas heterogéneos, dois
dispositivos principais de biopoder, projectados pela obrigatoriedade legal de identificar o pai de toda
a criança: (a) a dominação de um conceito bio-genético de paternidade ao nível jurídico, que ganha
importância pela “certeza” facultada pelo DNA; (b) a tradução de factos biológicos para
comportamentos e representações do que significa ser pai