Universidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Abstract
No contexto das culturas contemporâneas, nota-se o cultivo excessivo do
consumo, das novas tecnologias e de uma vida acelerada que raramente
autoriza tempo para o exercício de autoconhecimento e autoconstrução
humana. Nesse sentido, consideramos que as crises sociais, ambientais e
econômicas, vividas atualmente, podem ser pensadas à luz desse contexto
contemporâneo e a partir de algumas iniciativas sociais, com foco no desenvolvimento
comunitário e na transformação cultural, que, através da criação
de espaços de autonomia e protagonismo, podem revelar possibilidades dos
sujeitos participantes viverem experiências subjetivas de ócio. A partir deste
enquadramento, esta proposta de comunicação propõe-se fazer uma reflexão
teórica sobre as características do movimento internacional Transition e
as experiências decorrentes do mesmo.
Com base nos documentos do Movimento de Transição, percebemos que
aspira contribuir para transformar o entorno local, mostrar ações alternativas
possíveis de serem praticadas, estimular o engajamento e fazer com que
os participantes vejam oportunidades tangíveis de viver em um ambiente
mais sustentável, solidário e feliz (Hopkins, 2011). Indo para além das abordagens
teóricas desenvolvidas sobre o Movimento de Transição, pretende-se
analisar as suas características que convergem a uma dimensão subjetiva.
Esta subjetividade foi analisada, no contexto desta investigação, pelo prisma
do ócio enquanto direito humano e experiência subjetiva produtora de
desenvolvimento pessoal. Nesse sentido, Cuenca (2000, 2006) refere que
o ócio, denominado em sua acepção, como humanista, possui tanto implicações
pessoais quanto coletivas. O autor menciona a ideia da educação
comunitária para o ócio e prevê ações educativas no âmbito social - escolar,
regional, local, entre outros - que promovam a partilha de saberes, hábitos
e conhecimentos relativos ao ócio no contexto da comunidade em que se
vive. Neulinger (1980) define ócio como um estado mental subjetivo desenvolvido
a partir da realização de atividades que possuem fim em si mesmas
e que são capazes de proporcionar a sensação de liberdade e de desenvolver
capacidades humanas gratificantes que levam o sujeito ao encontro da sua
própria essência. Para além da análise dos textos do movimento, será realizada uma análise
dos dados obtidos através do processo etnográfico desenvolvido no âmbito
do movimento Aveiro em Transição no período de Fevereiro de 2014 até o
presente momento.
Este estudo faz parte da investigação “Experiência de ócio e desenvolvimento
comunitário: sentidos e experiências subjetivas a partir do movimento
Aveiro em Transição” realizado no âmbito do Programa Doutoral em Estudos
Culturais das Universidades de Aveiro e Minho.Financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior - CAPES do Ministério da Educação do Brasi