Universidade do Minho/Universidade de Aveiro. Programa Doutoral em Estudos Culturais
Abstract
Publicado em "Colonialismos, pós-colonialismos e lusofonias: atas do IV Congresso Internacional em Estudos Culturais". ISBN 978-989-8015-18-1A partir da constatação de que, na atualidade, a blogosfera se constitui como um poderoso espaço de comunicação entre cidadãos lusófonos – os utilizadores de língua portuguesa constituem a quinta maior comunidade línguística na internet (Macedo, Martins & Macedo, 2010) - esta comunicação pretende apresentar algumas conclusões de uma investigação que procurou analisar os conteúdos de quinze blogues brasileiros, moçambicanos e portugueses no que toca a representações sobre a lusofonia. Os resultados evidenciam que muitos aspetos da longa história do império colonial português, das suas realizações às
suas vicissitudes, são convocados, comunicados e debatidos de modo a fundamentar pontos de vista, quer favoráveis , quer desfavoráveis, sobre o sentido de uma comunidade lusófona. Ao perspetivá-la como uma espécie de prolongamento imperial, tanto os seus defensores (geralmente portugueses nostálgicos em
relação ao seu passado histórico supostamente glorioso), como os seus detratores (quase sempre africanos e brasileiros que preservam a memória de um passado de dominação), tendem a produzir representações simplificadoras que resultam em tensões e equívocos de difícil resolução. Deste modo a confusão entre a comunidade geocultural da lusofonia e o seu próprio passado – à qual não é alheio o cruzamento do presente independente daqueles que falam, pensam e sentem em língua portuguesa com o passado colonial
que conduziu ao encontro das suas culturas – conduz a que, na blogosfera, a lusofonia seja enfatizada tanto como herdeira do império colonial português quanto como prova inequívoca do seu radical desaparecimento.
Conclui-se que tal diversidade de representações pode transformar esta “comunidade imaginada” numa “comunidade imaginativa”