Universidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Abstract
A exposição mediática de crianças, sobretudo de crianças em risco, é com frequência um
tema delicado do ponto de vista da ética jornalística. Prestando-se a um tratamento
informativo que por vezes arrisca tocar o sentimento do público, a infância tem-se
revelado um campo particularmente fértil de matéria noticiosa. Se as questões
relacionadas com a educação e a saúde infantil estão largamente nas páginas dos jornais
e nos ecrãs, em consonância com a crescente atenção dos media aos temas sociais em
geral, os casos de justiça, muitas vezes implicando casos de abuso sobre menores, são
cada vez mais matéria inescapável para jornalistas.
Tomando por referência um estudo da cobertura que a imprensa e a televisão fizeram de
crianças em risco em 2008, os autores procuram, neste texto, conhecer a intervenção
específica dos Provedores dos Leitores, Ouvintes e Telespectadores em matéria de
protecção da imagem da infância nos media. O objectivo é problematizar o papel da
literacia mediática para a promoção de acções de sensibilização do público e dos
profissionais dos media relativamente aos direitos da criança. Nos termos de uma ética
participada pelos cidadãos, procurar-se-á argumentar o papel dos provedores como
mecanismo de educação para um consumo crítico dos media