Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)
Abstract
Nesta comunicação apresentamos os três momentos epistemológicos
mais pertinentes na história da Biologia no séc. XX.
Começamos por enunciar o papel da Embriologia no início daquele século, com
teorias vinculadas ao paradigma mecanicista-newtoniano (darwinismo) e
ao aristotélico - ptolemaico (criacionismos).Este momento manifesta a passagem de um
paradigma a um outro dentro da Biologia, e daí a sua importância.O segundo momento por nós escolhido situa-se inevitavelmente nos anos 60, com o surgimento do DNA.
A capacidade, fornecida pela tecnologia, de visualizar o interior
da célula criou a necessidade de recorrer à teoria da informação para descrição dos
fenómenos observados. Tal marcará para sempre o desenvolvimento da biologia
molecular, a sua instauração como teoria predominante, e quase exclusiva, da
Biologia contemporânea, enquadrada no paradigma mecanicista newtoniano.
O terceiro e último momento por nós salientado vincula-se a uma eventual transição
dentro da Biologia, com teorias a emergirem alicerçadas no holismo
epistemológico do pretenso paradigma da complexidade. Eventual transição e pretenso paradigma pois na história da ciência precisamos que passem mais uns três decénios para sabermos
se as teorias biológicas que nos anos 80 surgiram conotados com o movimento da
auto-organização se podem
considerar como tendo constituído como novo paradigma;
para tal, terá que se tornar o predominante na cultura ocidental, como nos lembra
Kuhn. Algumas das teorias biológicas vinculadas a esse eventual paradigma, que
caracterizamos, surgiram antes dos anos 80 mas a sua dimensão
extremamente minoritária em biologia quase as eclipsaram; sobreviveram curiosamente graças às
ciências sociais e humanas, sendo que actualmente possuem um estatuto de
legitimidade dentro de alguma linhagem científica em Biologia. Os seus autores
principais são G.Bateson, H. Maturana, F. Varela, S. Kauffman e H. Atla