Universidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Abstract
(Excerto) Interrogar-se sobre a melhor estratégia para formar jornalistas é
pôr sob exame a relação entre as redacções e as academias e entre a
teoria e a prática.
As redacções têm sido violentamente sacudidas por dois vendavais,
que, em parte se conjugaram. Um é o que se refere à digitalização
e às redes digitais, com reflexos fortíssimos quer nos conteúdos, quer
nos formatos, quer ainda nos processos de produção, distribuição e
utilização da informação de actualidade. O outro, mais recente, é a crise
económica e social e as políticas restritivas a ela associadas. O campo
jornalístico transfigura-se, no meio de um turbilhão que deixa antever
algumas tendências, mas que torna, por ora, difícil encontrar caminhos
adequados para lhes fazer face.
As mudanças não poderiam deixar de afetar a academia, nomeadamente
as suas componentes que se dedicam à formação dos futuros
profissionais da comunicação e dos media. Os dois vendavais referidos
chegam também às instituições de ensino superior: por um lado,
através das restrições orçamentais que condicionam as políticas de
recrutamento de pessoal, que deveria permitir o rejuvenescimento dos
docentes e investigadores; por outro porque a anemia do mercado de
trabalho, nomeadamente no jornalismo, faz com que a opção por seguir
este percurso se torne menos apelativa