Universidade do Porto. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCE)
Abstract
As políticas públicas têm efeitos geracionais diferenciados. Não obstante, a
avaliação dos impactos geracionais das políticas não é geralmente tida em
conta. Similarmente, a intervenção dos vários grupos e categorias populacionais
na construção do espaço público é atravessada por factores de
mobilização, por sistemas de crenças e representações sociais e por dispositivos
institucionais e políticos que diferenciam os direitos formais e as possibilidades
reais de contribuição na decisão política.
A infância é especialmente prejudicada, entre todos os grupos e categorias
sociais excluídas, quer pela relativa invisibilidade face às políticas públicas
e aos seus efeitos, quer por que é geralmente excluída do processo de decisão
na vida colectiva.
A partir da análise de vários projectos de intervenção e de investigação
sobre a participação das crianças, em curso no Norte de Portugal, este texto
pretende confrontar o sentido das políticas públicas com a efectiva presença
das crianças como destinatárias e como intérpretes da construção do espaço
público. Os resultados da participação infantil são interpretados a partir de
um quadro teórico ancorado na Sociologia da Infância e incidem em três
domínios fundamentais: a construção dos direitos da criança no espaço
urbano; a participação na acção pedagógica e a organização colectiva de crianças. Esses resultados são apresentados e analisados numa perspectiva
crítica, tendo em vista a demarcação da diferença operada pela participação infantil na decisão sobre a vida colectiva e as implicações na configuração
das políticas públicas.CIFPEC/CIEC - Centro de Investigação em Estudos da Criança, UM (UI 644 e 317 da FCT