Universidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
Abstract
É indiscutível que vivemos numa sociedade de consumo, num tempo de culto da imagem
e das aparências, onde o corpo se transformou no mais belo e desejado dos objectos.
Pode mesmo dizer-se que vivemos o paradigma da corporalidade.
Assim, nesta comunicação propomo-nos interrogar o lugar do ‘nosso corpo’ na pós-modernidade.
Muitas são as questões que se afiguram e, com a evolução das novas
tecnologias, ou melhor, das biotecnologias, surgem novos horizontes que colocam em
causa a dimensão do corpo humano como sempre o conhecemos. Afinal, o corpo não é
só uma evidência, mas nele recai a essência da existência na nossa era. Nele está toda a
beleza, que parece mostrar-se acessível a quem a quiser, transformando ou deformando
o original e criando outro ‘produto’, um modelo ideal que vai ofuscando as insuficiências
humanas. Teremos como ponto de partida a obra A Sociedade de Consumo de Jean
Baudrillard, mais concretamente o capítulo que aborda a questão do corpo. Para melhor
demonstrarmos a sua posição nesta sociedade imagética faremos uma breve súmula
histórica. Recorreremos também a autores e exemplos pertinentes para ilustrar a
estetização da vida contemporânea.
Actualmente, o corpo mostra a sua omnipresença na publicidade, na moda e na cultura
de massas. Posiciona-se como objecto de salvação, substituindo a função ideológica da
alma. Deste modo, apresenta-se como a escatologia da nossa época, sendo necessário
investir nele de forma narcisista e espectacular.
Vive-se o culto da imagem e a importância da aparência cria uma indústria que se vai
aperfeiçoando continuamente. As pessoas recorrem a técnicas de design, regimes
alimentares, cirurgias estéticas, cosméticos, cremes, ginástica, ingestão de produtos e
marcas corporais. Procura-se, incansavelmente, a ‘fonte da juventude’, uma beleza
democrática e universal que se pauta pela magreza e que procura romper com as
insuficiências do corpo humano. Nesta era da corporeidade, o humano funde-se com a
tecnologia. Os ideais de beleza invadem a sociedade e, sob a capa da perfeição,
mostram a violência e a repressão que encarnam e que se materializa em doenças como
a anorexia ou a bulimia. Os meios de comunicação social também seguem a tendência
da pós-modernidade. Surgem reality shows que invocam o self e a beleza (por exemplo,
Doutor, Preciso de Ajuda e A Bela e o Mestre, TVI). A publicidade apela ao erotismo,
associado, na maioria dos casos, ao corpo feminino. Os objectos apresentam uma
erotização funcional e a multiplicação de signos do real é evidente, pois a lógica do
consumo vive em função do simulacro e do hedonismo.
Este panorama demonstra uma invasão do culto do corpo que procura na tecnologia a
resposta para superar a insuficiência humana. Porém, os avanços tecnológicos abrem
uma multiplicidade de perspectivas caracterizada pela transgressão e fragmentação do
corpo humano. Dá-se a fusão do corpo com a máquina, uma perspectiva que nos leva a
pensar no surgimento de outro ser. Paira a incerteza sobre o que vai acontecer ao
protagonista da pós-modernidade