Na região foram identificados cinco ciclos de glipto/sedimentogénese fluvial cenozóicos,
de importância regional, decorridos no Pliocénico superior (Placenciano) e Quaternário. A
cada um destes ciclos de glipto/sedimentogénese correspondeu escavação de novo talvegue
no substrato seguida de colmatação do paleovale. Esta interpretação baseia-se num conjunto
de informações que têm sido obtidas através do estudo dos sedimentos, das paleoalterações
associadas e das observações de campo acompanhando as frentes de exploração dos depósitos.
Os testemunhos destas etapas de sedimentação fossilizam vales fluviais largos, com orientação
transversal à fachada atlântica e ocorrem nas bacias dos rios Minho, Lima e Cávado e ainda
nos depósitos de Alvarães.
Os sedimentos cenozóicos contactam directamente, por inconformidade, as rochas do
substrato. As litofácies depositadas variam desde conglomerados com matriz areno-lutítica
a arenitos lutíticos e lutitos. O tipo e organização das litofácies são típicas de sistemas fluviais do tipo entrançado. São do tipo entrançado em areias na maioria das bacias e
predominantemente do tipo entrançado em cascalho na bacia do rio Minho. Os canais fluviais
estavam confinados aos respectivos vales e ocupavam-nos durante as inundações.
O primeiro ciclo está representado pela Formação de Alvarães, Formação de Barrocas
(bacia do rio Minho) e unidade inferior de Prado (bacia do rio Cávado). Estas formações
apresentam características sedimentares e conteúdo paleontológico climaticamente
equivalentes, indicadores de clima quente e húmido. Esta etapa de sedimentação, mais antiga,
é atribuída ao intervalo entre o Placenciano e Plistocénico inferior. O segundo ciclo de
gliptogénese cenozóica deve ter decorrido antes do Plistocénico médio, durante o arrefecimento
que atingiu a Europa. Esta interpretação cronológica baseia-se no conteúdo florístico descrito
na jazida de Corgos (bacia do rio Minho). A composição sedimentar nos três primeiros
ciclos é semelhante, siliciosa e caulinítica, afectada por alterações diagenéticas que expressam
condições favoráveis à meteorização química. A sedimentação do quarto ciclo cenozóico
difere dos anteriores. O enchimento contém clastos de rochas e minerais quimicamente
alteráveis e/ou com menor grau de alteração, frequentemente caulinite de baixa cristalinidade
e interestratificados entre outros. O último ciclo cenozóico, o quinto, tem início com o
arrefecimento climático do último período glaciário, do qual existem vestígios de glaciações
nas serras da Peneda e Gerês. Provocou o ravinamento de um novo talvegue, esvaziando os
enchimentos anteriores, do qual resultaram os actuais vales dos rios do Entre-Douro-e-
Minho. As aluviões que preenchem estes vales indicam a manutenção de condições climáticas
menos propícias à meteorização química, tendo sido depositadas no pós-glaciar