A actual e continuada degradação do meio ambiente resultante da acção do Homem constitui uma
ameaça à diversidade biológica, que é em grande parte desconhecida, visto não haver um conhecimento
total dessa realidade. Dado que uma das vertentes para a conservação da diversidade biológica é a
Educação Ambiental surgiu assim a questão que orienta a presente investigação: Que preocupações e
conceitos transmite o ensino formal sobre a diversidade biológica? Para responder a esta questão
optamos pela análise de conteúdo aplicando-a em dois objectos de estudo, sendo eles: 1) Programa e
competências do 1.º Ciclo do Ensino Básico; 2) Manuais escolares do 2.º e 3.º anos de 4 editoras
diferentes sobre o Estudo do Meio. Para realizar esta análise construíram-se várias categorias à priori
com o objectivo de estudar os seguintes eixos: 1) local vs global; 2) visão antropocêntrica vs visão
biocêntrica; 3) visão pessimista vs visão optimista; perspectiva ambientalista vs perspectiva educativa;
complexidade vs simplicidade; e, quanto à parte icónica dos manuais, 6) imagem-forma vs imagemfunção.
Como síntese dos resultados obtidos podemos concluir que as orientações fornecidas pelo
Programa e competências, e pelos manuais, os conteúdos encaminham-nos para uma abordagem a
partir do meio local assumindo uma visão antropocêntrica, pois as classificações dos seres vivos surgem,
fundamentalmente, em relação às necessidades do Homem. Ao reconhecerem a existência de problemas
ambientais procuram encontrar soluções para os combater encaminhando-nos desta forma para uma
visão optimista. Através das orientações fornecidas, consideramos que estas assumem uma perspectiva
educativa, iniciando as orientações com uma visão simplista da realidade, pois, principalmente no 2.º
ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico, são abordados vários aspectos dos seres vivos de uma forma isolada.
Estes resultados serão apresentados e discutidos em detalhe