Em apenas 20 anos, o H. pylori tornou-se numa das bactérias mais estudadas pela
comunidade científica. A investigação efectuada permitiu caracterizar muitos dos aspectos
fisiológicos da bactéria, assim como determinar a sua prevalência na população humana em
diferentes países e clarificar o seu papel no desenvolvimento de certas doenças. No entanto, a
rota (ou rotas) de transmissão entre a população humana ainda não foram identificadas. A
falta desta informação assume particular relevância em Portugal, um país onde estudos
epidemiológicos indicam que a prevalência do H. pylori é uma das maiores entre os países da
Comunidade Europeia.
A principal via de transmissão apontada costuma ser a transferência directa de ser
humano para ser humano, mas a existência de alguns reservatórios ambientais onde a bactéria
se possa encontrar em estado viável, tal como a água, tem também sido sugerida. Para além de
diversos estudos epidemiológicos que apontam a água como um possível veículo de
transmissão, surgiram nos últimos anos diversos estudos microbiológicos que apoiam esta
possibilidade. Por exemplo, num estudo conseguiu-se identificar a bactéria usando a técnica
de PCR em biofilmes – películas microbianas aderidas a superfícies - formados em condutas
de água potável, e em outros dois estudos foi aplicada a “fluorescence in situ hybridization”
(FISH) para conseguir identificar com sucesso o H. pylori em água dos rios ou em biofilmes
associados a canalizações de água potável. Também na água do mar e em água dos poços as
técnicas de biologia molecular foram essenciais para detectar o microrganismo patogénico.
No entanto, a dúvida subsiste sobre se a bactéria se encontra num estado viável nestes
sistemas e se pode, portanto, ser foco de contaminação