Gabinete para os Meios de Comunicação Social. Grupo de Trabalho Informal sobre Literacia para os Media
Abstract
Publicado em Atas do 2.º Congresso "Literacia, Media e Cidadania", ISBN 978-989-96478-3-1Neste texto serão apresentados dados referentes a dois estudos que procuraram compreender o papel da escola na construção de cidadãos plenos, ativos e autônomos, considerando a atual centralidade do consumo e a hegemonia da lógica do marketing na mídia e nos espaços públicos.
Num primeiro estudo, buscou-se saber se e como os livros didáticos da disciplina de Língua Portuguesa dos anos iniciais do Ensino Fundamental, no Brasil, contribuíam para a formação de consumidores críticos, mais capazes de desnudarem os artifícios do discurso de caráter publicitário, nas mais diversas formas, e conscientes acerca de temas como consumismo, desperdício, desejos de compra. Para estas competências de compreender e usar estes textos, concebeu-se o termo “Letramento (ou literacia) em Marketing”.
Grande percentagem das incidências encontradas corresponderam a gêneros publicitários canônicos impressos (anúncios de jornal, cartazes, panfletos), mas foram identificadas outras peças de marketing (embalagens, rótulos, logomarcas, capas de livro), a partir das quais eram propostas atividades de leitura e/ou de produção textual – inclusive sob uma perspectiva discursiva, próximas das condições reais da produção e consumo de tais textos.
Em um segundo estudo, buscou-se caracterizar, por meio de questionários e entrevistas, a prática dos professores em sala de aula quanto aos gêneros textuais de caráter publicitário usados, as razões e os modos para o seu uso.
Os resultados referentes à prática declarada pelos docentes também apresentaram a preponderância dos textos canônicos impressos. Este privilégio, de acordo com estas alegações, está vinculado a aspectos infraestruturais e aos saberes relativos à linguagem não verbal.
Este procedimento impacta negativamente no processo de desenvolvimento escolar de uma consciência crítica pois se mostra incompatível com as atuais estratégias das empresas e demais organizações, que cada vez mais se utilizam de meios como a TV e a internet e ações fora dos veículos tradicionaisCAPES, B