Os edifícios tradicionais portugueses apresentam especificidades técnicas locais. O
clima e os materiais de construção disponíveis localmente são fatores condicionantes dessas
especificidades. Por exemplo, os edifícios tradicionais algarvios, as açoteias, têm a cobertura em
terraço e são pintados de branco. Por sua vez, os edifícios de xisto e de tabique do Alto Douro
têm a cobertura inclinada com beirais e vãos de pequenas dimensões. Os edifícios de granito e
de tabique das regiões de Trás-os-Montes e do Minho também têm coberturas inclinadas com
beirais. Contudo, com o fenómeno da globalização, tem havido uma tendência de uniformização
dos padrões construtivos e as especificidades locais parecem ter vindo a ser negligenciadas. O
aparecimento de problemas ambientais resultantes, em grande parte, da emissão de gases de
efeito de estufa para a atmosfera provenientes do aumento do consumo energético nos edifícios
implica a adoção de medidas conducentes à redução desse consumo. Pensa-se que o
conhecimento das características técnicas dos edifícios tradicionais de cada região poderá
contribuir para minimizar este consumo e tornar assim os edifícios novos ou os edifícios a
reabilitar mais eficientes energeticamente e, implicitamente, mais sustentáveis. Neste sentido, foi
desenvolvida uma metodologia experimental, para avaliar o coeficiente de transmissão térmica
de elementos construtivos de edifícios, passível de ser aplicada “in situ” e em laboratório. Esta
metodologia permite uma monitorização contínua desse desempenho térmico durante vários dias
e em condições termo higrométricas reais. Nesta comunicação serão apresentados alguns dos
resultados obtidos através da aplicação desta metodologia a elementos construtivos e materiais
existentes nos edifícios tradicionais da região de Trás-os-Montes e Alto Douro