Os lípidos ou gorduras são teoricamente atractivos para a produção de biogás devido ao seu elevado
potencial metanogénico, quando comparado com proteinas ou hidratos de carbono. Há descrições na
literatura de que a adição controlada de lípidos a um digestor pode aumentar significativamente a
produção de biogás. Verificou-se por exemplo que num digestor anaeróbio para tratamento de resíduos
animais duma exploração leiteira, a produção de biogás duplicou após a introdução duma pequena fracção
(5%) de óleo de peixe, o que contraria a ideia de que os lípidos são altamente nefastos aos processos de
tratamento anaeróbio de efluentes. As condições de mistura, tenmpo de retenção hidráulico, e nível de
aclimatação da biomassa ao substrato são factores chave na degradação anaeróbia deste tipo de composto.
Neste artigo são apresentados alguns dos problemas geralmente associados ao tratamento anaeróbio de
efluentes com elevados teores de lípidos e são descritos os últimos avanços neste domínio, nomeadamente
o trabalho realizado no Departamento de Engenharia Biológica da Universidade do Minho, recentemente
premiado pela Fundação Lettinga