research

Reflexividade na aprendizagem : um processo de interacção social?

Abstract

A perspectiva de Educação como espaço de emancipação e transformação (inter)pessoal tem norteado a minha prática pedagógica desde 2000, quando se iniciou o primeiro projecto “Transformar a Pedagogia na Universidade”. A reflexividade constitui um dos princípios pedagógicos que tem vindo a assumir um papel cada vez mais explícito nessa prática, o que será ilustrado com uma estratégia formativa e de avaliação das aprendizagens que consiste na produção individual de um relato reflexivo no qual os alunos devem analisar conteúdos e processos de aprendizagem experienciados, evidenciando capacidades de problematização. A construção do relato é um processo interactivo realizado em duas fases: (1) os alunos elaboram um texto que é submetido à apreciação do professor a meio do semestre e (2) posteriormente reconstroem‐no em 56 | Página função das orientações fornecidas e de outros elementos que se afigurem relevantes. No primeiro momento, são fornecidas orientações através de um guião e de uma grelha de avaliação. A análise da qualidade dos relatos tem vindo a despoletar algumas preocupações pedagógicas: Serão mobilizados o guião e a grelha de avaliação na sua construção? Em que momentos e com que finalidade são mobilizados? Se não são mobilizados, porquê? Qual o papel do feedback do professor na reconstrução do relato? As percepções dos alunos em resposta a estas questões constituirão o suporte da análise de potencialidades e constrangimentos da reflexão enquanto processo interactivo de (re)construção de aprendizagens, o que permitirá problematizar o valor do princípio da reflexividade no quadro de uma educação que pretende ser transformadora.A view of Education as a space for empowerment and transformation has guided my pedagogical practice since 2000, when the first project “Transforming Pedagogy at University” started. The principle of reflectivity has gained a growing importance in my practice. It will be illustrated with a training/ evaluation strategy whereby students produce a reflective text focussing on learning contents and processes, in which they must develop and reveal the ability to problematise learning. The construction of the text is an interactive process developed in two stages: (1) the students produce the first version of the text and send it to the teacher for appreciation in the middle of the semester, and (2) they subsequently reconstruct their text according to the teacher’s feedback and other relevant elements. In the first stage, guidelines are provided through a guide and an evaluation grid. The analysis of the quality of the students’ texts has raised some concerns: do they use the guide and the evaluation grid to construct their text? When and what for? If they don’t use them, why? What is the role of the teacher’s feedback? On the basis of the students’ answers to the last question, I will analyse the potential and constraints of reflection as an interactive process that seeks to foster the (re)construction of learning. This will allow me to problematise the value of reflectivity within an educational practice that intends to be transformative

    Similar works