Dissertação de mestrado integrado em Psicologia (área de especialização em Psicologia Clínica)O presente estudo sustenta seis objetivos essenciais: 1) caraterizar os ferimentos autoinfligidos
numa amostra da comunidade constituída por estudantes universitários portugueses; 2) aferir a
existência de relações entre os ferimentos autoinfligidos e o sexo dos participantes; 3) avaliar
diferenças entre indivíduos com e sem ferimentos autoinfligidos ao nível da psicopatologia; 4) aferir a
relação entre a presença de ferimentos e o estilo de vinculação e comparar indivíduos com e sem
ferimentos autoinfligidos ao nível de dimensões relevantes para a vinculação; 5) avaliar a percentagem
de indivíduos cujos ferimentos descritos num instrumento de autorrelato são confirmados através da
realização de uma entrevista e 6) compreender a distribuição dos indivíduos com ferimentos
autoinfligidos pelos diferentes estilos de vinculação avaliados pela Adult Attachment Interview
(George, Kaplan & Main, 1984).
Para a concretização destes objetivos, o estudo foi dividido em duas fases. Numa primeira fase
foram utilizados instrumentos de autorrelato para a caraterização dos ferimentos autoinfligidos,
avaliação da sintomatologia psicopatológica e classificação do estilo de vinculação e a amostra
compôs-se por 518 estudantes universitários com idades compreendidas entre os 17 e os 62 anos,
sendo 347 (67.0 %) dos participantes do sexo feminino e 171 (33.0%) do sexo masculino.
Numa segunda fase, foi aplicada uma entrevista de confirmação/infirmação da presença de
ferimentos autoinfligidos e a Adult Attachment Interview (George, Kaplan & Main, 1984) e nesta fase
a amostra compôs-se por 6 dos participantes que haviam participado na primeira fase, com idades
compreendidas entre os 18 e os 22 anos, sendo 2 (33.3%) dos participantes do sexo masculino e 4
(66.7%) do sexo feminino.
Relativamente aos resultados da primeira fase, verificou-se que 16.2% dos participantes haviam
realizado, nalgum momento das suas vidas, algum tipo de ferimento autoinfligido e que 52.4%
daqueles que os realizaram recorreram a mais de um método. No que respeita à frequência, 80.7% dos
ferimentos foram realizados “de um a cinco dia por mês” e 54.8% realizaram-se “menos de uma vez
por dia”. Não foi encontrada uma associação entre a presença de ferimentos e o sexo dos participantes,
nem diferenças entre eles ao nível do número de métodos utilizados. Relativamente à psicopatologia,
foram encontradas diferenças significativas entre indivíduos sem e com ferimentos, com estes últimos
a pontuarem significativamente mais em todos os índices de psicopatologia. Verificou-se também uma
associação significativa entre a presença de ferimentos e os estilos de vinculação, assim como
diferenças entre indivíduos com e sem ferimentos ao nível de dimensões relevantes para a vinculação.
Quanto aos resultados da segunda fase, em 83.3% dos casos a presença de ferimentos
autoinfligidos referidos foi confirmada e em 16.7% dos casos infirmada, e 100% dos participantes
foram classificados como inseguros-preocupados através da Adult Attachment Interview (George,
Kaplan, & Main, 1984). Estes resultados são discutidos com recurso a uma interseção da literatura
respeitante aos ferimentos autoinfligidos e à teoria da vinculação.The present study encompasses 6 major purposes: 1) to describe non-suicidal self injury on a
Portuguese, community sample of university students; 2) to assess the existence of relationships
between non-suicidal self injury and the sex of participants; 3) to explore differences between selfinjurers
and non self-injurers on measures of psychopathology and 4) to assess the relationship
between the presence of non-suicidal self injury and styles of attachment and compare self-injurers
and non self-injurers on attachment relevant measures; 5) to assess the amount of participants whose
injuries described on a self-report measure are confirmed by means of an interview and 6) to evaluate
the distribution of self-injurers throughout the different attachment styles evaluated by the Adult
Attachment Interview (George, Kaplan, & Main, 1984).
In order to fulfill these purposes, the study was divided in 2 stages. On a first stage, participants
filled in self-report measures of non-suicidal self injury, psychopathology and attachment and the
sample was composed by 518 university students: 347 (67.0%) female and 171 (33.0%) male
participants, ages ranging from 17 to 62 years old.
On a second stage, a confirmation/disconfirmation of non-suicidal self injury interview and Adult
Attachment Interviews were conducted and this second stage sample was composed by 4 (80%)
female and 2 (20%) male participants, ages ranging from 18 to 22 years old.
First stage results revealed that 16.2% of participants reported having injured themselves in some
moment of their lives and 52.4% out of these 84 participants used more than one method. In what
concerns behavior frequency, 80.7% of the reported injuries were inflicted “from one to five days per
day” and 54.8% were inflicted “less than once a day”. No association was found between non-suicidal
self injury and the sex of participants, nor did males and females differ on number of used methods.
Significant differences were found between non self-injurers and self-injurers on psychopathology
measures, these having scored significantly higher on all psychopathology scales. An association
between non suicidal self-injury and attachment styles and significant differences between selfinjurers
and non self-injurers on relevant attachment measures were also demonstrated.
In what concerns second stage results, the presence of non-suicidal self injury was confirmed in
83.3% of cases and disconfirmed in 16.7%, and 100% of participants were classified as insecurepreoccupied
on the Adult Attachment Interview (George, Kaplan & Main, 1984).
These results are discussed by means of an intercrossing of non suicidal self-injury and attachment
theory literatures