Artigo não publicadoHoje em dia, a utilização de software musical para apoio à composição, à produção de partituras e à análise musical é incontornável. Por outro lado, as notações musicais além de complexas, diferem muito uma das outras; é muito difícil para não dizer impossível, garantir a interoperabilidade entre diferentes aplicações de manipulação de música. Apesar de haver algumas iniciativas, ainda não emergiu um formato como norma.
Houve ainda outras motivações na génese deste trabalho. Muitos dos exercícios que se fazem em teoria musical levam-nos a realizar cálculos algo complicados: cálculo de intervalos, construção de acordes, construção das mais variadas escalas, transposição de partituras para instrumentos transpositores, construção de cadências para jazz ou clássico, etc. A complexidade inerente a estes cálculos existe devido à não linearidade das notas na escala musical que todos conhecemos, as oito notas de uma oitava estão separadas por 5 intervalos de um tom e dois intervalos de meio tom que conforme a escala em questão aparecem em determinadas posições dessa escala. Estes dois intervalos de meio tom invalidam a possibilidade de se usar a nota musical como referência para cálculo, ou se o fizermos, vamos ter de andar a contar sempre os tons e os meio tons.
Este trabalho teve então como principal objectivo definir um referencial linear no qual fosse possível representar de forma unívoca todas as notas musicais com todas as possíveis alterações que estas possam a vir a ter (em música: sustenidos e bemóis). Este referencial deveria permitir realizar todos aqueles cálculos enunciados acima através de uma operação aritmética simples, como a adição ou a subtracção